quinta-feira, 28 de outubro de 2010

O papel da educação e o meio ambiente


A educação é uma tarefa que não compete só aos pais ou familiares mais chegados, mas a todos nós que convivemos com seres humanos em crescimento e formação de valores, modos de vida, ideais, etc, mais concretamente as crianças. 

Elas já trazem consigo uma estrutura (interna) de acordo com os valores, consoante o país, região do mundo ou cultura em que estão inseridas. Mas “educar” não é só estudar, ensinar a comer, vestir, ou a ter maneiras. É muito mais do que isso. Valores, como o civismo, o respeito pelo outro, por si próprio, pelo meio ambiente, e uma série de outras coisas, é o que rege a nossa vida, assim como os afectos têm uma importância capital. 

Hoje as nossas crianças são educadas por “pessoas” que nem sequer estão preparadas para tal, ou que lhes dão pouca atenção e lhes facilitam a vida em tudo. Isto leva a que se tornem em perfeitos “incompetentes” na sua vida e na vida em sociedade.  

As facilidades não ajudam ninguém a crescer. Nem tudo o que é transmitido na infância, tem que ser seguido, mas a verdade é que os nossos valores principais são apreendidos nessa fase da nossa vida. A acção do homem sobre a natureza tem vindo a degradá-la cada vez mais. 

 Que futuro vai ser desta geração de “facilidades”. Hoje fala-se cada vez mais de ecologia. A verdade é que nem toda a gente tem noção do que se trata. As pessoas de outras gerações, ainda não estão dentro deste  espírito. Outro dia ao passar na rua, vi uma avó que dava uma peça de fruta à neta (á volta de 4 anos de idade). Ela deitou a casca para o chão e continuou o seu caminho.  Do outro lado da rua, estava um caixote…... 

Infelizmente isto acontece frequentemente também junto dos ecopontos, onde é depositado lixo indevido. Onde vamos parar com tanta inconsciência? Isto vai resultar numa “poluição mental e real do nosso planeta”. A nível global, tem-se verificado uma modificação a nível de chuvas, temperaturas muito altas ou muito baixas, intempéries repentinas, etc. 
 Onde deveria começar a educação para tudo isto? Em casa, da parte de quem educa e também em todos nós, que somos responsáveis pelo meio ambiente. O futuro não perspectiva, para já, uma evolução favorável. Há que mudar o nosso comportamento, o nosso modo de vida, de pensar, etc. O próprio planeta também tem as suas fases e normalmente, elas acontecem de uma forma catastrófica. Depois um novo ciclo começa e tudo renasce. Mas só depois de muita dor e sofrimento.

Se ajudarmos a natureza, ela também retribui de forma graciosa.

Luar Azul

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

video

Palavras para quê?
A todos nós.....
É urgente.... cada vez mais...

Terra...


Falámos da Água enquanto Elemento. Exploremos agora um pouco o Elemento Terra.

Assim como a água, a terra é outro símbolo universal. Em oposição à água, que geralmente remontava a divindades de destruição como Tiamat, a terra representa a Deusa Mãe, deuses da fertilidade, entidades benéficas e criadoras.

O hino de Homero à Terra chama-lhe  “mãe universal de sólidas bases, avó venerável que nutre no seu solo tudo o que existe”. O homem primitivo, vendo que as plantas brotavam do solo, relacionou a Terra a uma Grande Mãe.

Da mesma forma, a decomposição dos mortos sobre o solo mostra que esta que gera, também absorve novamente os seus filhos, num eterno ciclo. Ésquilo diz, nas Coéforas, que a Terra: “dá à luz todos os seres, nutre-os e depois recebe deles de novo o germe fecundo”. Ainda o hino homérico qe diz: “É a ti que pertence o dar a vida aos mortais, bem como o tomá-la”. O homem veio do pó e ao pó voltará, foi a sentença de Deus no Génesis.

Nascer e ser depositado no chão é ser aceite pela Grande Mãe. Muitos povos têm este hábito de pôr no chão a criança parida (humi positio). Em egípcio demótico, “sentar-se no chão” tem o mesmo significado que “parir” ou “parto”.


A morte é o reencontro com o ventre materno. O Rig Veda assim se dirige aos que morrem: “Rasteja para a Terra, tua mãe”, “Tu, que és terra, deito-te na Terra”. Deposita-se, portanto, tanto o recém-nascido como o moribundo.
Alguns rituais de renovação também envolvem a terra. Os escandinavos enterravam vivas as feiticeiras e sobre o sepulcro plantavam e colhiam cereais, como forma de purificar a alma dela e salvá-la da danação eterna.

Certas tribos indígenas enterram vivas as crianças que apresentam defeitos ou retardamento mental. O gesto representa uma cautela para evitar males à tribo ou à própria criança, que não será tão forte quanto outra para enfrentar a vida. Além disto, enterrá-la é como devolver à terra a matéria prima para ser renovada.

Em outros grupos, pratica-se um ritual simbólico de enterramento. O iniciado é coberto por folhas num buraco ou é enclausurado num túnel e, ao emergir deste ventre telúrico, será um renascido.

As culturas antigas que valorizam a Terra costumam ser matriarcais. É possível que tenha sido a mulher a desenvolver a agricultura, sendo, assim, responsável por uma revolução social grandiosa para a tribo. Também o facto de ser a mulher quem gera o filho assemelha-a à Grande Mãe Terra.
Em algumas mitologias, a Deusa nem sequer precisa de um parceiro para gerar filhos. Segundo Hesíodo, Gaia gerou de si mesma Urano. Por outro lado, a hierogamia era tão necessária que Gaia gerou Urano exactamente para se unir a ele em matrimónio (afinal o casamento humano era considerado uma imitação do casamento dos deuses). No Brhadaranyaka Upanishad o marido diz “Eu sou o Céu” e, para a esposa, “Tu és a Terra”.

Enquanto o Céu é simbolizado pelo círculo, a Terra é simbolizada pelo quadrado, representando a solidificação, estabilização e perfeição que é também a manifestação dos quatro Elementos (Terra, Fogo, Ar e Água). Exprime a intenção de reunir a energia divina dentro de um limite.
A associação círculo-quadrado evoca a ideia do casamento entre o céu e a terra. Para Jung, a trindade-quádrupla correspondia ao aspecto fundamental da plenitude.


A Terra é a Deusa-Mãe raíz de cultos ancestrais. A Mãe Celeste incarnou no tempo, sob diversas formas, interna, indecisa, indisciplinada, verbal, profunda, poderosa, infernal, determinada, autêntica, forte e fraca, amante das formas e dos filhos do tempo, Tudo em Uma, Ela É Viva.


É de uma universalidade notável, pois está presente em todas as mitologias, como Gaia, Maia, Ísis, Vénus, Ishtar, Maria, etc. É iniciadora e detentora do conhecimento.
Uma dessas culturas antigas, bem próximas de nós e muito interessante, é a Céltica. O nome da deusa: Dana. 


Apesar de conhecida, permanece uma divindade misteriosa de quem se conhece pouco. Sabe-se que é a deusa-mãe da qual nasce a filiação celta dos Tuatha Dè Danann, filhos de Dana. Os Tuatha são os construtores de megalitos, descendentes do Proto-americanos, descendentes dos Elohim, isto é deuses (referidos na Bíblia). Os Elfos representam a sua filiação divina.

Este povo misterioso partiu, como os deuses. 
Legou-nos Dana “Divina e altiva, permanece nos bosques, vestida de púrpura de ouro, armada com uma cota de malha. Soberana e deusa, mãe e guerreira, curadora e papisa, assim é Dana, a deusa-mãe dos Tuatha Dè Danann, semi-deuses da Irlanda pré-céltica”.


Á Terra que nos acolhe, um pedido de perdão por todo o sofrimento que lhe causamos e um bem-haja por, mesmo assim, nos considerar ainda como filhos.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Solidariedade


Neste momento qualquer coisa que aconteça, de bom ou mau, é logo divulgado nos mais diversos meios de comunicação. Muitas vezes serve de inspiração para se ver o outro lado, de uma outra forma. Serve para prevenir que futuras acções não se repitam ou que aconteçam menos vezes. 

Refiro-me precisamente ao que aconteceu no Chile. Uma notícia em Agosto, reportava que 33 mineiros tinham ficado soterrados a 700 metros. Pensou-se que não iriam sobreviver. Mas a força de vontade de “sobre)viver “ falou mais forte, e em 12/13 de Outubro, foram retirados um a um, através de uma cápsula criada para esse efeito, tendo  resistido em condições extremamente desfavoráveis. 

Já pensaram realmente nas datas em que eles foram retirados? 12 e 13 de Outubro?  Não deixa de ser marcante que todos eles estejam bem. Julgo que os desígnios de Deus falam mais alto. Há coisas que são inexplicáveis. Realmente há uma força superior que fala mais alto…

Para que tudo isto acontecesse, foi preciso que 12 países se unissem e cavassem um túnel que iria permitir a retirada dos homens, e construíssem uma cápsula. Eis um belo, um dos poucos, exemplo que nos demonstra esta faceta fantástica do Homem.
Infelizmente, quando há uma desgraça é que as pessoas unem todos os seus esforços para que tudo corra bem. Raramente em situações felizes os homens se unem ou colaboram e eliminam as diferenças. Neste aspecto, os animais mostram-nos exemplos reveladores da sua “humanidade”.

Vivemos, infelizmente, muito para o nosso umbigo, se queremos sobreviver neste mundo selvagem e cruel. Ou matamos ou deixamo-nos morrer. Não há escolha possível. É mesmo assim.  Mas ainda bem que o Ser Humano, por vezes, esquece tudo isto e parte para o outro de mão aberta e disposto a ajudar.

Este acontecimento no Chile veio revelar que ainda subsiste alguma Humanidade. Fiquei feliz por ver que todos os homens voltaram para as suas famílias e estão bem. E a mina foi encerrada de vez pelo Presidente do Chile que acompanhou toda a operação.

Mary Rosas
14.10.10

(Pintura: Rob Gonçalves)

terça-feira, 12 de outubro de 2010

A felicidade exige valentia




"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
 mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo, 
e posso evitar que ela vá à falência.

Ser feliz 
é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios,
incompreensões e períodos de crise. 

Ser feliz
é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.

É atravessar desertos fora de si, 
mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.

É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.

 Ser feliz 
é não ter medo dos próprios sentimentos. 
É saber falar de si mesmo. 
É ter coragem para ouvir um "não". 
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."


                                                                        
                                                                 Fernando Pessoa - 70º aniversário da sua morte

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Ser

Quem somos? Quem vemos que somos? Quem pensamos que somos?

Num único dia, ou mesmo hora, vemo-nos e pensamo-nos de diferentes formas e sentires. Agora felizes logo melancólicos, a seguir zangados..... Buscamos o equilíbrio.

Como?

Na maioria dos casos no TER: ter alegria, ter beleza, ter amor, para já não falar de bens materiais. Mas será por aí o caminho? Quando pensamos em termos de ter, pensamos em posse, em algo que vem do exterior para o interior, do mundo, do outro para nós.

Então o que nos preenche? 

O exterior? Se assim for, então o nosso interior cria um vazio que se procura preencher continuamente, sem nunca o conseguir plenamente. Vem então a frustração, o desacreditar, o acumular de mais teres, que vão aumentando o vazio criado. Desespero!

Refugiamo-nos então no intelecto. Ideias brilhantes, inteligentes que nos absorvem, enganam, iludem, mas fascinam.

Contudo, o vazio continua, pois o interior ainda não é preenchido por algo interno, nosso. Vamos buscar as ideias, as noções, os conceitos e construimos uma imagem do que pensamos ser. Um dia sem luz, sem sol e sem estímulo... Desespero! Vazio!

O que falta? O SER!

Falta SER alegria, amor, beleza... É interior, faz parte de nós como a nossa carne, a nossa alma. Preenche! Não mais vazio!


Como ser? 

Olhando para dentro, conhecendo, afrontando a pessoa que pensamos ser, o que os outros pensam que somos e dizem que somos e devemos ser, o que querem que sejamos.


SER, por aquilo que EU SOU, o mais íntimo de nós, a Luz brilhante que potencialmente vive em cada um.

SER, como ser inteiro, parte e todo do Universo, o UM infinito.

SER, total, pleno de humanidade, e vazio de pessoa egóica e mutante.

Um longo caminho, pejado de espinhos, onde a senda é estreita e sinuosa, mas livre.




terça-feira, 5 de outubro de 2010

Ainda Kahlil




     Um dia, quando Phardrous, o grego, caminhava pelo jardim, bateu com o pé numa pedra e ficou enfurecido.
       E voltou-se e agarrou na pedra dizendo em voz baixa:
       - Oh, uma coisa morta no meu caminho. - E atirou fora a pedra.
       E Almustafa, o escolhido e bem amado, perguntou:

- Porque disseste "Oh uma coisa morta"?
Não estás já há tempo suficiente neste Jardim 
para saberes que aqui não existe nada morto?

Todas as coisas vivem e brilham no conhecimento dos dias
e na majestade da noite.
Tu e a pedra sois um só.
Só existe diferença nas batidas do coração.
O teu coração bate um pouco mais depressa, não é. meu amigo?
Ah, mas não é tão calmo.
O seu ritmo pode ser outro ritmo
mas digo-te que se escutares as profundezas da tua alma
e analisares as alturas do espaço
só ouvirás uma melodia.
e nessa melodia cantarão a pedra e a estrela,
uma com a outra, em perfeita união.

Se as minhas palavras não alcançam a tua compreensão,
então espera que haja outra alvorada.

Se amaldiçoaste a pedra porque na tua cegueira tropeçaste nela,
então também amaldiçoarás uma estrela
se a tua cabeça a encontrasse no céu.

Mas chegará o dia em que juntarás pedras e estrelas,
como uma criança junta lírios do vale,
e então saberás que todas as coisas têm vida e fragância.

                                                 In O Jardim do Profeta



Kahlil Gibran foi poeta, filósofo e artista. Nasceu no Líbano em 1883. Passou a infância em Beirute, emigrou para os Estados Unidos com 12 anos e voltou ao Líbano com 22 anos.

Publicou várias obras, entre as quais As Asas Rompidas,  o Louco, O Profeta, Lázaro e a sua Amada,   Jesus O Filho do Homem, O Jardim do Profeta, etc.

Foi pintor, tendo feito a primeira exposição de retratos em 1904, sem sucesso.

Faleceu em 1903.

domingo, 3 de outubro de 2010

Água...


Hoje chove! Água do céu dirão uns, estragou-me os planos de fim de semana, dirão outros!

A água, preciosa, termómetro e símbolo de emoção, fonte primordial de vida, são alguns dos atributos deste liquido simples e tão complexo.

A água é considerada a matriz, a Mãe,  pois a vida vem da água. É um símbolo de nascimento no livro I da Bíblia, o Génesis, para os Vedas é chamada mâtrimâh, que quer dizer “a mais materna”. No que concerne os mitos do heróis, ela está associada ao seu nascimento ou renascimento. Assim, Mitra ( deus persa), nasceu nas margens de um rio e Jesus “renasceu” no rio Jordão.

A água leva-nos à origem. Prahmada, o Ovo do Mundo diz-se ter sido chocado na água e é dele que advém toda a criação. Nos textos alquímicos é relacionada com a Solutio.

É um dos símbolos do inconsciente. O acto de mergulhar na água e sair liga-se analogicamente ao acto de mergulhar no inconsciente, enquanto ser lançado à água é similar a ser entregue ao seu próprio destino.

Sonhos em que o ego onírico guarda a água suja no quarto, simbolizam aceitação por parte do ego vígil dos aspectos obscuros da sua personalidade, da sua sombra. Caso o sonhador se veja a tomar um banho, essa imagem parece estar associada com a penetração da compreensão

Sendo um dos quatro elementos, é um símbolo do sentimento. As emoções são representadas pela água. As ondas do mar corresponderiam ao movimento dessa mesma emoção.

A água é um símbolo de força passiva, ou seja não sendo dura, mas flexivel e adaptável, ela pode descer ao mais baixo.

Como diz Lao Tse “pela água a fraqueza triunfa da força”.

Resta dizer que somos água, em 90% da constituição do nosso corpo físico. Que sem ela, tanto o homem como a vida pereceriam.

Água, preciosa, que cai do Céu, Mãe de Vida, bem-hajas!

... Como diz Rumi, cada vez que a Luz divina brilha na lamparina de uma Palavra, todas as dificuldades serão resolvidas:

Maomé disse: "Bem-aventurado seja quem me viu e quem olhar aquele que viu a minha face".


Quando uma lamparina vai buscar a sua luz a um pavio, quem vir a lamparina vê certamente o pavio.


Se a transmissão da luz advém desta maneira até que se acendam uma centena de lamparinas, ver a última das lamparinas é unir-se à Luz original.




                                             In Cântico do Sol
                                                        de Djalal-od-Rumi