segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Filha do Vento


Filha do vento






Deusa dos ciclones, dos fogos ardentes, das alegrias e das lamentações,
Senhora dos apareceres, Segredo das a-parências,
Nascente misteriosa do Intervalo,
Flor de vida eterna que revela a internidade de cada coisa,
Sopro misterioso dos Eons Numinosos
Felicidade do Nada
Glória de Tudo,





Tu és minha Mãe, minha Irmã, minha Esposa, minha Filha, minha Amante,
Acolhe a minha Oferenda luminosa
E
Celebremos juntos as Bodas do Um em Tudo,
Através de Tudo.
Entre Tudo
Na felicidade de Nada,
Simplesmente,
Pela Beleza do Advento do Grande Nada.




« La Fille du Vent »
Esculpida por Fabienne Campelli
Na sequoia abatida pela tempestade de 26.Dezembro.1999
Jardim das Plantas de Avranches
(Fotos e poema de Alain Blandin)

Recado!

Na sequência dos comentários aos contributos de Alain Blandin, este decidiu dar o seu ponto de vista:

Qu'importe le mot, l'im-périence (contraire de ex-périence) suffit. Comprendre est second, secondaire.
Accepter pleinement cela est la  Voie, la Quête plus ou moins consciente de tous les humains. Vivre la présence de la lumière et la laisser se répandre sans que le moi intervienne est le défi de chaque instant qui se pose à chacun d'entre nous. Accepter de s'oublier et laisser  l'intervalle du Soi, de Dieu (qu'importe le nom) effuser  à travers nous, à travers tous ,dans la vie, dans le quotidien est l'Art. Joie à vous

que traduzido:

Não importa a palavra, a im-periência (contrário de ex-periência) é suficiente. Compreender é segundo, secundário.

Aceitar plenamente, essa é a Via, a Demanda mais ou menos consciente de todos os humanos.

Viver a presença da luz e deixá-la expandir-se sem que o eu intervenha é o desafio de cada instnte que se coloca a cada um de entre nós.

Aceitar esquecer-se de si mesmo e deixar o intervalo de Si, de Deus (pouca importa o nome) difundir-se através de nós, através de todos, na vida, no quotidiano é a Arte.

Alegria para vocês


sábado, 27 de novembro de 2010


Não é meu costume retomar textos publicados. Todavia, por razões particulares, vou referir-me a um poema publicado, sob o titulo “Quem somos”. Teve comentários interessantes, um dos quais foi muito para além do expresso. Diz nomeadamente que “É um hino à maternidade”. Assim é efectivamente, na sua realidade mais profunda e velada.

Todos nós, homens ou mulheres, trazemos em nós a potencialidade de um Menino Deus, todos nós estamos grávidos de Divino. É a Centelha divina que guardamos no mais íntimo de nós, a nossa Luz mais profunda, o nosso Mestre de todos os instantes.

Sim, é um outro Ser, que, mistério dos mistérios, somos e em simultâneo ainda não somos. Na verdade, podemos dizer que somos dois – não vivemos na dualidade?

Um é a personalidade, a Alice, a Maria ou o Joaquim...., que, ilusão, tomamos pelo Ser. Vivemos a maior parte do tempo pela personalidade, em nome dela, pelo seu bem-estar, agimos em consonância. Ela ocupa todo o espaço do nosso mundo. Trabalhamos, pensamos, lutamos por ela! Um dia, porque é terrena e mortal, ela chega ao fim do seu Tempo! Julgamos, na maior do tempo, ser o fim! Medo, terror, morte! E todas as crenças da Alice, da Maria ou do Joaquim caem, desvanecem-se perante a visão deste “fim”.

O outro, a Centelha Divina, eterna e interna, que espera tomar o Espaço e o Tempo que somos. É o Deus que todos trazemos e que é a razão do sermos Filhos. É a maternidade divina, o Ser que temos de dar à Luz na caverna do nosso coração, no segredo do segredo, dos Pastores e dos Anjos. Pastores porque cuidam dos animais (corpo físico) e Anjos porque louvam a Deus (parte espiritual).

E quando a criança divina nascer, grande Feito terá acontecido na Humanidade: um humano que deu à Luz o Filho do Homem. Este Homem é o Homem primordial, com todas as qualidades divinas a quem o Pai insuflou o Seu sopro e criou à Sua Imagem e Semelhança.

É dura e difícil esta gestação. O parto é a Páscoa da Vida.

Por isso, um bem haja a quem comentou o poema “Quem somos” como um hino à maternidade... sim Maternidade no sentido mais nobre, mais profundo e mais encoberto da palavra.

Esta é só a minha perspectiva. Peço desculpa à autora do poema pela interpretação que fiz. Estou certa que compreenderá.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Auto-estima



A Auto-Estima é algo muito importante na nossa vida. A maior parte das vezes não se dá importância, sendo este factor primordial na nossa existência.

Por detrás dela, estão inúmeras situações que determinam o nosso rumo. O facto não gostarmos de nós próprios, determina que  tenhamos decisões erradas uma vida inteira, casamentos falhados, amigos falsos, fecharmo-nos no nosso casulo,  medo de arriscar,  medo de nos relacionarmos, entre muitos outros.

Somos Seres Humanos, e não somos perfeitos de modo nenhum. Mas quando temos uma boa Auto-Estima, defendemo-nos melhor das outras pessoas, das dificuldades/obstáculos da vida, das nossas próprias armadilhas.

Para isso contribui o factor educacional/família, a sociedade/meio onde nos inserimos, etc. Nem sempre quem nasceu em “berço de ouro”, é capaz de vencer. Fazem-no aqueles que têm de lutar arduamente para seguir em frente nos seus objectivos de vida, por não terem os meios necessários. Daí resultam pessoas mais fortes e determinadas. Quando é preciso ir á luta, vai-se, muitas vezes com muitos receios, dificuldades, mas com vontade de vencer. Há muita coisa que os nossos pais não ensinam, porque não tiveram ocasião ou oportunidades para isso.

Mas hoje, apesar das dificuldades cada vez maiores a todos os níveis, temos de lutar ainda com mais força, porque os tempos futuros não vão ser melhores, pelo contrário. A Auto-Estima ajuda a enfrentar os nossos problemas e ter a humildade de pedir ajuda,  se necessário. Infelizmente há muita miséria mental, espiritual, financeira e emocional escondida. 

Mary Rosas

terça-feira, 23 de novembro de 2010

A ti....

(Foto: Rarinda)

Geraste a carne da minha carne
Guardei de ti as heranças de linhagem
O saber dar sem nada pedir.
Pensar no outro antes de ti
Olhar o menino e sorrir de amor.
Na alma ficou a luz que foste e és.
Essa que não parte,
que não abandona a memória que sou.
Fui parte de ti,
Um bem-haja aos Céus
Pelo dom que me deu!
Compreendi o teu sofrer,
Que não exprimi.
E sei que compreendes
As lágrimas que correm em sorrisos,
A saudade feita gestos de ternura,
A ausência nunca distante
No coração amante e amado.
A ti que foste,
Que és,
Um até já
No mar de azul e dourado de Infinito,
Uma oração ao vento e à Lua
Mãe e manhã
Num renascer constante
No Amor e na Luz.

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segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Quintessência


(Foto: Joana)

I

Murmúrios da Lua

Raio verde a Oeste sobre o Mar no Porto do Graal,
Último Instante do Sol poente que vela em Fim
A luz do mundo que nos fascina,
Nuvens índigo frementes de violetas luminescentes.

Sol da Noite que sempre se levanta a Leste,
Lua, Nave silenciosa do Sol Invisível e Invencido.

Estrelas, luciferinas do Absoluto.

Segredos do Inefável.

Lumen de lumine.
Eu Sou e Permaneço.

Sem espelho nem pó,
O ser verdadeiro reflecte-se a si mesmo.

Quem fala de reflexo?
Quem fala de Vazio?
Ninguém.

Quintessência de Claridade,  de Fogo e de Calor,
A Flor Luz,
É o Tesouro dos tesouros,
Segredo dos segredos.







Murmures de la Lune

Rayon vert à l’Ouest sur la Mer au Port du Graal,
Dernier Instant du Soleil couchant qui voile en Fin
La lumière du monde qui nous éblouit,
Nuages indigo frémissants de violettes luminescences.

Soleil de la Nuit qui se lève toujours à l’Est,
Lune, Vaisseau silencieux du Soleil Invisible et Invaincu.

Etoiles, lucifériennes de l’’Absolu.

Secrets de l’Ineffable.

Lumen de lumine.
Je Suis et Demeure.

Sans miroir ni poussière,
L’être véritable se reflète lui-même.

Qui parle de reflet ?
Qui parle de Vide ?
Personne.

Quintessence de Clarté,  de Feu et de Chaleur,
La Fleur Lumière,
Est le Trésor des trésors,
Secret des secrets.


Alain Blandin
(poema publicado nas Lettres Incoeristes)

domingo, 21 de novembro de 2010

Gotas de Água


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A vida é uma viagem!

Um dia damos conta de que estamos sobre a Terra.

Quando? Nem isso sabemos.
De onde viemos? E como estamos aqui?

Em conversa com alguém que muito aprecio, falávamos de gotas de água. Somos como uma gota, individual, com memória de todo o Tempo que passou, certa e segura de ser uma gota idêntica (mas não igual) a todas as outras.
Para onde vamos? Para o Oceano primordial depois de atravessarmos todos os estádios do nosso ser, na busca incessante do Grande Ser que somos no mais íntimo.

Perguntamos, e quanto tempo precisamos para a viagem?
Não acredito no tempo, pois é apenas um ponto de referência entre duas acções. Não se confunda o tempo com o Intervalo.  O tempo permite-nos organizar o nosso mundo terreno, é apenas um marcador. Tem a importância de marcar momentos, instantes que depois guardamos na memória da Vida. É no tempo que cometemos as acções que preenchem o retorno, bom ou menos bom. É no tempo que chamamos viagem à vida que preenchemos.

O Intervalo é a pausa que nos permite Viver. É no Intervalo que nos compreendemos, que somos. Que seria da música sem Intervalo? Que seria das palavras sem Intervalo? E que seriamos sem o Intervalo na respiração? Não seríamos, pois não passaríamos do ciclo inspiratório ao expiratório e assim por diante.
E é nesse Intervalo que espreitamos o Ser que Somos, é nesse Intervalo que Tudo se joga.

E o que tem o Intervalo a ver com gotas de água?
Tal como uma nota de música se diferencia da outra pelo intervalo, também uma gota é gota porque se diferencia da outra... pelo Intervalo, como uma pessoa se diferencia da outra apenas pelo Intervalo.

E no Intervalo, o Tudo!

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

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Como é habitual, o Programa de fim de ano é reduzido. Dezembro é um mês de festividades importantes.

4 de Dezembro
             - 15:00 – Workshop de Artesanato “Prendinha de Natal” com Elisa Fontes

Os participantes devem trazer:


  • 1 Sabonete (de preferência branco)
  • 1 tesoura pequena
  • 2, 50 Euros para material
11 de Dezembro
– 15:00 – Meditação e Técnicas

18 de Dezembro
– 15:00 – Encontro de Natal.


Nota:
O Centro encerrará entre o Natal e o Ano Novo.


Aproveitamos para desejar que tudo se passe da melhor forma, envolvido em  Amor, Beleza e Luz.


Com um grande bem-hajam pela presença e carinho!

domingo, 14 de novembro de 2010

A Luz na Terra


No passado mês de Outubro tivemos a visita de um Amigo, Alain Blandin, que nos desenvolveu um tema para meditação. 
Com autorização de Alain, vamos passar extractos do texto, abaixo temos o primeiro, do que foi exposto na altura  e desenvolvido este fim de semana aqui, n'O Caminho da Montanha.

Desde já agradecemos a disponibilidade de Alain Blandin, assim como a riqueza do que nos proporcionou.



  
Objectivo principal : a atenção

É importante desenvolver a atenção, não a concentração que é focalização num ponto, mas a atenção, ou seja a abertura consciente et ampla a tudo o que Aparece.

Se uma só coisa tiver de ser retida é que a atenção (sem objectivo) é a chave do sucesso das práticas, de qualquer experiência de vida, a chave da liberdade.


Exemplo do jogo da consciência e do universo

Procurei um exemplo concreto para ilustrar que, se estivermos atentos, a vida é bem mais rica do que cremos habitualmente pelo que os vou convidar a fazer da atenção sem objecto a chave, não só de toda a prática, mas de todos os instantes da vida.

A vida é mágica, e respondeu mostrando-me que a realidade aqui mesmo tem uma face escondida, uma dimensão que existe, mas que só a apercebemos se estivermos atentos.

O maravilhoso esconde-se sempre por detrás do banal. 

E isso aconteceu de forma banal. De facto, o que há de mais banal aparentemente do que o nome do lugar onde estamos, aqui e agora. Ora essse nome diz-nos qual o tipo de trabalho que temos a fazer aqui, agora.

Explicação: quando pedi à Alice para traduzir para francês os nomes de ESPINHO (Épine) e Santa Maria de Lamas (Sainte Marie des Boues), vi imediatamente uma resposta do universo. Esta coincidência, este acordo, entre o nome do lugar e a tradução literal, indica a ligação que há entre o que aqui se faz de uma maneira geral e o que vamos fazer agora.

As palavras servem para designar objectos concretos, tangíveis, mas a vida é também poesia: viver conscientemente, em poética, é por vezes estar mais próximo do Real do que crer que a realidade se resume a uma simples realidade grosseira, tangível ou às elucubrações do nosso psiquismo.

Viver conscientemente, estar consciente de que as palavras designam realidades mais vastas do que os objectos tangíveis, é aproximar-se do coração da vida, do centro da nossa realidade. Todos aspiramos viver mais profundamente. Para isso é preciso estar mais consciente. Digam-me de que estão conscientes e eu dir-lhes-ei por quem se tomam.

Em poética, em esoterismo, as palavras são portadoras de uma verdade encoberta, mas viva. Assim, as palavras Espinho e Santa Maria de Lamas são nomes de lugares, mas, em linguagem poética, são palavras que nos interpelam sobre a maneira como vemos a vida e consequentemente sobre o que fazemos da nossa vida.

Demonstração:
- Espinho (a cidade) = espinho (o objecto, a parte da rosa que pica)
- Santa Maria de Lamas, literalmente = pureza mariana da lama

Assim, em poética, viver em Santa Maria de Lamas, em Espinho, é aprender a transformar a lama que nos encobre em pureza mariana do Real, é curar os espinhos da Vida.

Isto é particularmente verdade neste centro, aqui, consagrado à terapia. De facto a terapia cura-nos dos efeitos dos espinhos da vida, a terapia dissolve as lamas dos nossos apegos ao passado e convida-nos a transformar as lamas da nossa psique em pureza mariana.

Através deste exemplo, deste jogo de palavras, deste jogo da vida, vemos que a vida em consciência é rica em coincidências, em realidades tão verdadeiras como a vida quotidiana, mas unicamente reveladas no intervalo da realidade.

Aprender a Ver isto é, a ser mais lúcido, é primordial para aqueles que querem viver plenamente.
……
Assim, juntos, vamos estar atentos ao que está aqui e que não vemos, ou vemos pouco, se nos limitarmos a uma consciência de superfície que passa sobre as coisas, os seres, as situações sem as viver real, lúcida e totalmente.

Antes de tudo precisemos o que quer dizer viver realmente.  

Viver realmente é estar consciente do que é, sem o parasitismo do mental, sem a história que a nossa pequena pessoa se conta a si mesma e que quer ocupar todo o espaço. O parasitismo pela pessoa tem como efeito encobrir-nos o real.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Se a vida humana não tem preço,
agimos sempre como se algo superasse o valor da vida humana... mas porquê?

(Antoine de saint-Exupéry)

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Quem somos!!!!!

Meu corpo estremece de medo
Quando o meu Ser se mexe
Quem é este meu Ser?
Olho para mim e vejo
Que nada vejo, mas sinto
O grande e puro desejo
De saber porque pressinto.
Quem sou ou quem somos?
Somos dois ou um?
Se somos um
Porque o meu corpo estremece de medo
Quando sente que tu te mexes?
Se somos dois
Porque te sinto como sendo eu?
Serás tu o corpo desta roupagem
Que esta vida me deu?
Então meu corpo não é corpo
Mas apenas teu agasalho
Que nesta terra nasceu.
Que te agasalhes em mim
E que o agasalho se torne um em ti.
Que assim eu seja um eu sem fim
E regresse à fonte de onde nasci.

Elisabete Teixeira

domingo, 7 de novembro de 2010

Aos meus amigos...


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"Um dia a maioria de nós irá separar-se.
Sentiremos saudades de todas as conversas atiradas fora,
das descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, 
dos tantos risos e momentos que partilhámos.

Saudades até dos momentos de lágrimas, da angústia, das
vésperas dos fins-de-semana, dos finais de ano, enfim...
do companheirismo vivido.
Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre.

Hoje já não tenho tanta certeza disso.
Em breve cada um vai para seu lado, seja
pelo destino ou por algum
desentendimento, segue a sua vida.

Talvez continuemos a encontrar-nos, quem sabe... nas cartas 
que trocaremos.
Podemos falar ao telefone e dizer algumas tolices...
Aí, os dias vão passar, meses... anos... até este contacto 
se tornar cada vez mais raro.

Vamo-nos perder no tempo...

Um dia os nossos filhos verão as nossas fotografias e
perguntarão:
Quem são aquelas pessoas?
Diremos... que eram nossos amigos e... isso vai doer tanto!

- Foram meus amigos, foi com eles que vivi tantos bons 
anos da minha vida!
A saudade vai apertar bem dentro do peito.
Vai dar vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente...

Quando o nosso grupo estiver incompleto...
reunir-nos-emos para um último adeus a um amigo.
E, entre lágrimas, abraçar-nos-emos.
Então, faremos promessas de nos encontrarmos mais vezes
daquele dia em diante.

Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a 
sua vida isolada do passado.
E perder-nos-emos no tempo...

Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não
deixes que a vida 
passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de 
grandes tempestades...

Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem
morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem 
todos os meus amigos!"


quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Frei Fernando Ventura

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Ontem tive a oportunidade de ouvir falar alguém que não conhecia de todo. Essa pessoa é o Frei Fernando Ventura, alguém com muitas qualificações, mas de uma enorme acessibilidade e simplicidade. Ficou, ainda mais, conhecido através de um vídeo no You tube, na Sic. O tema era “do eu solitário ao nós Solidário”. Achei que devia ouvi-lo. 

 Apreciei o facto de ter feito a sua palestra junto do público e não no palco. O que disse este Senhor? Nada que não soubéssemos antes, mas transmitido de uma forma magnifica e simples e cuja mensagem foi entendida por todos.

Falou sobre o nosso tipo de vida, do nosso ar carrancudo quando vamos na rua, o facto de sorrirmos muito pouco, da nossa correria diária, de querer  ter mais do  querer ser, e de algo muito interessante: o refúgio que encontramos em nós próprios que  não nos deixa avançar perante o outro. Porque o Ser Humano é belo e extremamente complexo. Fechamo-nos no nosso casulo e desta forma estamos protegidos perante nós próprios e o mundo.

O que será que aconteceu aos nossos sentimentos  que não aparecem à luz do dia? Não nos deixamos amar, nem ser amados. Passamos a temer o futuro, o medo de nos relacionarmos com os outros e darmo-nos a eles e vice-versa. O medo da rejeição. Temos receio de dizer “eu gosto de ti” ou ainda mais difícil “eu amo-te”. Quando se tem uma destas atitudes, estranha-se, não se acredita que seja uma acção verdadeira, vindo do coração.


Hoje vivemos acabrunhados pela situação actual do país, pelos nossos problemas familiares, financeiros, de trabalho ou de relações de amizade, entre muitas outras coisas. Hoje vive-se de aparência, mas  por detrás disso, encontramos muita solidão, dor e sofrimento. 

Quando mostramos aquilo que somos, acontece que nos deixam de lado. Hoje ou se mata ou se morre. Dai a termos necessidade de integrar grupos de variada ordem. Parece que temos de usar máscara que nos protege disto e daquilo. Isto não é bom. Acabamos com problemas psicológicos graves, depressões e …… dependentes de medicação e  sem vontade  de viver. 

O que é que nos falta? Amar-nos dentro de todas as nossas circunstâncias e desta forma podemos amar o mundo inteiro.  Deveríamos dizer mais vezes “ eu gosto de ti”, “ eu amo-te”, dar mais abraços, tocar mais os outros com o olhar e com o próprio toque e não ter medo.

(Pintura: Rob Gonçalves)
Nós, portugueses, não estamos habituados a mostrar o quanto gostamos dos que nos estão próximos. Parece que mostrar emoções é feio e o só fazemos numa situação extrema. Temos de mostrar que somos pessoas de sucesso, que temos de o alcançar a todo o custo. Todo o resto fica escondido. E por detrás dele, encontramos pessoas com uma solidão atroz.

Se formos ver outros países como por exemplo, África ou a América Latina, as pessoas sorriem mais, apesar da pobreza extrema  em que vivem.  São mais unidas, preocupam-se mais umas com as outras, visitam-se frequentemente. São capazes de dizer muito mais vezes “ eu gosto de ti”, “ preocupo-me contigo”.

Por isso digo, somos todos iguais enquanto Seres Humanos. O que diferencia é a cultura, a educação, o lugar onde nascemos, os valores, os preconceitos, etc.

Tudo isto foi focado nesta palestra. Se calhar não podemos mudar o mundo, mas podemos mudar o nosso e consequentemente o que está à nossa volta. Vamos sair do nosso casulo e darmo-nos mais ao nosso semelhante.

03.11.10

Mary Rosas

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Actividades em Novembro


6 de Novembro
15:00 – Filme “Samsara” seguido de discussão
  
13 de Novembro
– 15:00 – Meditação e Técnicas

27 de Novembro
– 15:00 – Viagem de Pétalas e Sons em busca da Beleza


Actividade permanente:

Hatha Yoga – 2ª e 4ª às 19:00

Nota:

Como teremos entre nós mais uma vez Alain Blandin, usufruiremos da sua presença no dia 13 de Novembro, pelo que as perguntas pendentes, relativas às Técnicas de Despertar, poderão ser colocadas nesta altura.


segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Todos os Santos e Fiéis defuntos


(Salvador Dali)
A Igreja Católica comemora a 1 de Novembro a “Festa de Todos os Santos”, em honra dos mártires e cristãos heróicos.

As famílias comemoram também, neste dia, e por antecipação, os Fiéis Defuntos, que é assinalado a 2 de Novembro, em honra de todos os que já partiram.

O dia de Todos-os-Santos foi instituído com o objectivo se suprir quaisquer faltas dos fiéis em recordar os santos, nas celebrações ao longo do ano. Esta tradição de recordar os santos esteve na origem da composição do calendário litúrgico, em que constavam inicialmente as datas de aniversário da morte dos cristãos martirizados, como testemunho pela sua fé. 

A comemoração oficial de Todos os Santos foi fixada no século IX, no dia 1 de Novembro e a dos Fiéis Defuntos no século X, no dia 2 de Novembro.

Para um não crente, nenhuma destas comemorações faz sentido. Negando Deus, logicamente negam a vida eterna, a vida para além da morte. O dia de “Todos os Santos” é uma aberração e o dia de “Fiéis” não deveria ser lembrado, pois, com a morte, tudo acaba, o ser humano é aniquilado. Quando muito, deveria ser apenas uma mera recordação.

Para um crente, faz todo o sentido ambas as comemorações e em dias seguidos. No dia 1 celebramos e comemoramos, com paz e amor, todos os santos, já falecidos. Mas também celebramos todos os santos vivos, aqueles que estão na Graça de Deus, esperando a sua hora do encontro com o Pai. Os santos que já partiram são o exemplo para os vivos, dizendo-nos que, se quisermos, podemos alcançar a salvação; indicam-nos o caminho (lembro-me do lindo nome que foi soprado pelo Espírito: “O Caminho da Montanha”); dizem-nos que é possível morrer em santidade, com a Graça de Deus). O resultado vai depender da resposta de cada um ao chamamento a essa mesma santidade.

No dia dos Fiéis recordamos, de uma maneira especial, os nossos entes queridos que já partiram e que, esperamos, estejam na união perfeita com Deus.

Embora crentes e com fé, temos o direito à saudade, à recordação, mas sem nunca esquecer a certeza do Mistério Pascal, que tem o seu apogeu na certeza do Cristo Ressuscitado.

Para quem tem fé, o dia dos Fiéis Defuntos é o dia em que recuperamos o encontro com aqueles que já não estão connosco. Na Eucaristia acontece este autêntico milagre.



Em resumo: o Dia de Todos os Santos é um dia de festa, que não deve ser ofuscado pela celebração do dia que se lhe segue. A comemoração do Dia de Todos os Fiéis Defuntos nasceu, no entanto, em ligação com a celebração do dia anterior e, muito naturalmente, pois nele se celebra a vida para além da morte, na esperança da ressurreição no último dia.

Ernesto Henriques