quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Rota

(Universum)

Perguntaram-nos “porque estava a ensinar Tarot quando na Bíblia é dito que Deus é contra a idolatria, espiritismo e cartomancia”, À pergunta onde era afirmado na Bíblia, a pessoa, honesta e em busca profunda, e a quem agradeço ter levantado esta questão, respondeu: Deuteronómio 18: 9-14:

“9. Quando entrares na terra que o Senhor, teu Deus, te der, não aprenderás a fazer conforme as abominações daquelas nações.
10. Entre ti se não achará quem faça passar pelo fogo o seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro;
11. Nem encantador de encantamentos, nem quem consulte um espírito adivinhante, nem mágico, nem quem consulte os mortos;
12. Pois todo aquele que faz tal coisa é abominação ao Senhor; e por estas abominações o Senhor, teu Deus, as lança fora de diante dele.
13. Perfeito serás, como o Senhor, teu Deus.
14. Porque estas nações, que hás-de possuir, ouvem os prognosticadores e os adivinhadores: porém, a ti, o Senhor, teu Deus, não permitiu tal coisa.”

Não vamos considerar as milhentas formas como o Tarot é lido, interpretado ou vivido. Apenas focaremos a forma como está a ser abordado (e não ensinado) na iniciação que está a decorrer no Caminho da Montanha.

Estamos apenas a trabalhar os 21 Arcanos Maiores. Cada um representa um princípio, um Número e uma Ideia. E o que é um Arcano? É um mistério que temos de conhecer para compreender um grupo de princípios ou leis, contendo em si toda a ciência. Podem ser transmitido por via oral, escrita ou por símbolos.

Como chegou até nós o conhecimento destes Arcanos? Ou melhor como nos chegou o Conhecimento? De onde vem?

Temos como referências, mais próximas, civilizações antigas que o detinham, nomeadamente a Índia e o Egipto (onde Moisés foi educado e iniciado e a quem se deve Livros muito importantes que compõem a Bíblia). Este Conhecimento era passado em Templos depois de duras provas. Era secreto. A sua síntese chegou-nos de três formas: Sociedades Secretas, Cultos (tradição simbólica) e através do povo. O Tarot é a síntese deste Conhecimento passado através do povo que desconhecia na íntegra o que estava realmente a transmitir, de uma forma encoberta e simbólica.

Muitas são as abordagens e muitos são os baralhos que existem. No curso, cada Lâmina corresponde a uma letra do alfabeto hebraico. Segundo Fabre d’Olivet, terão existido hieróglifos primitivos, dos quais terá derivado o alfabeto hebraico. Este é composto de 22 letras, tal como os Arcanos Maiores. Cada letra do alfabeto hebraico corresponde a um número (Guimátria), conforme a sua posição, a um hieróglifo, segundo a sua forma e a um símbolo, conforme a sua relação com as outras letras.

Tomamos por base a Cruz, cada ponta correspondendo a uma Letra: YOD –HE-VAV-HE, em que YOD representa o Princípio das coisas.

Referimos igualmente a simbólica dos Números, pois para os antigos o Número era a expressão de Lei Absoluta. A cada Número era atribuído um sentido. A Unidade é o Princípio Criador dos Números, pois tudo emana dela.

A Unidade é a soma de todos os seres criados, como o corpo é a soma de todas as suas células.

O Tarot ou Rota é o Caminho para Deus e não o afastamento d’Ele. Inclui em si toda a sabedoria hebraica inerente ao Antigo Testamento, assim como a base dos Evangelhos. Não tem Tempo, pois fala de todos os Tempos.

Não vamos prolongar mais este artigo pois cremos ter deixado claro que o Tarot está longe ser abordado como adivinhação ou idolatria e muito menos espiritismo. Para nós é uma forma de acedermos ao Conhecimento ancestral, através da decriptação da imagem, símbolos, ideias, através da meditação sobre cada Arcano e descoberta do significado profundo de cada Passo.


sábado, 25 de fevereiro de 2012

David, Rei de Israel e de Judá



(Rei David de Domenico Zampieri)

Os salmos são hinos sagrados por meio dos quais o povo de Deus costumava louvar o Altíssimo, implorar Sua misericórdia, agradecer benefícios recebidos e recordar prodígios de Sua paternal providência em favor de Israel. Foram compostos por diversos escritores sagrados, sendo David o autor de sua maior parte.
São textos para serem lidos e meditados, pois a sua profundidade espiritual leva-nos a um êxtase inenarrável.
Há 2 salmos que me impressionam de uma maneira extraordinária:
São os salmos 22 e 50. Ambos atribuídos ao rei David.
Do primeiro transcrevo os primeiros versos, para deleite interior:

“O Senhor é meu pastor, nada me falta.
Leva-me a descansar em verdes prados,
Conduz-me às águas refrescantes
E reconforta a minha alma”.

Do segundo, conhecido como o salmo do “Miserere” (Misericórdia), tentarei dar uma explicação histórica e que nos faz compreender a sua génese.
O rei Saul, primeiro rei de Israel, afastou-se dos caminhos de YAVEH e ESTE retirou-lhe a Sua bênção. Enviou o profeta Samuel para ungir David, o mais novo de 7 irmãos, porque o tinha escolhido para rei do Seu Povo, o que sucedeu algum tempo depois, após a morte de Saul numa batalha com os filisteus.
David foi um grande rei, combateu e venceu os seus inimigos, tornou-se forte e temido por estes e respeitado pelo seu povo.
Era um rei temente a Deus.
Mas…há sempre um mas…
(David e Betsabe de Lucas Cranach)

Apaixonou-se por Betsabé, esposa de Urias, um dos seus soldados de elite, que estava na guerra contra os amonitas. Engravidou-a e tentou, sub-repticiamente, resolver o problema do adultério. Mandou chamar Urias e disse-lhe que fosse para casa, descansar. Mas Urias, um militar íntegro e com honra, respondeu ao rei que não faria tal, pois os seus companheiros estavam ao relento e longe das famílias e o seu dever era compartilhar o sacrifício com eles.
Vendo David que a sua estratégia falhara, enviou-o novamente para a frente de batalha, com uma carta para o comandante do exército, com estes dizeres: “Coloca Urias na frente, onde o combate for mais renhido e desamparai-o para que ele seja ferido e morra” (II Samuel, 14,15).

E assim sucedeu.
David desposou Betsabé.
Uma história de encantar, não é?
Perante a sociedade nada de anormal se passou. Foi tudo legal e normal. A morte de um soldado é apenas a consequência da guerra.
Só que David não era um rei qualquer. Foi ungido com o óleo sagrado, por ordem de YAVEH. Teria que dar o exemplo, ser justo e obediente a Deus.
O Profeta Natan foi ter com o rei, dando-lhe o recado de Deus: “Ungi-te rei de Israel…Porque desprezaste o Senhor, fazendo o que é mal aos seus olhos? Feriste com a espada Urias, para fazer de sua mulher a tua esposa. Por isso, jamais se afastará a espada de tua casa, porque Me desprezaste…Porque tu agiste às escondidas, mas Eu o farei diante de todo o Israel e diante do sol. David disse a Natan: “Pequei contra o Senhor”. Natan respondeu-lhe: “O Senhor perdoou o teu pecado; não morrerás. Todavia como desprezaste o Senhor com esta acção, morrerá o filho que te nasceu” (II Samuel, 12, 7-15).
E foi neste contexto, que um homem verdadeiramente arrependido implorou o perdão e a misericórdia de Deus.
(Ícone do Rei David)

E transcrevo os primeiros versos do Salmo 50:

“Tende piedade de mim, Senhor segundo a Vossa bondade,
E conforme a imensidade da Vossa misericórdia, apagai a minha iniquidade.
Lavai-me totalmente de minha falta,
E purificai-me do meu pecado”. 

E como fecho, recordo que Jesus, o Messias, é descendente do grande rei David. Na Anunciação do anjo Gabriel a Maria, ele diz:”não tenhas receio Maria…hás-de conceber e dar à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus…O Senhor Deus dar-lhe-á o trono de seu pai David”. Lucas 1, 30-32.

Algumas conclusões se poderão tirar. Sem querer ser moralista, compartilho duas:
1 – Podemos tentar enganar-nos a nós próprios e aos outros. Mas nunca a Deus.
2 – Por maiores que sejam as nossas faltas e os nossos erros, quando há verdadeiro arrependimento, Deus está sempre pronto a perdoar-nos, porque nos ama.

Ernesto Henriques

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Falar de Iniciação


(Mestre Lima de Freitas: Preste João)


Há muitas formas de falar de Iniciação. Aqui, no Caminho, temos a iniciação ao Reiki e, se alargarmos o significado, podemos falar de iniciação à meditação, ao yoga, à dádiva, ao Amor. Iniciar é começar, todos sabemos.

Então, de que fala Eliphas Lévi no artigo anterior? Que Iniciação é esta?

Quando se fala dos Mistérios de Eleusis, do Egipto, ou de Homens de grande sabedoria, diferentes, como Hermes Trimegisto ou Hissa, Rumi, estamos a falar de Iniciados. São seres de grande Conhecimento, íntegro, total e integrado.

Todos temos a possibilidade de aceder a este Caminho. Para trás têm de ficar as velhas roupagens de conceitos, concepções e explicações exotéricas, lógicas mas limitadas. Temos de ousar fazer perguntas, ousar receber respostas que, por vezes, nos escandalizam, que nos sabem a “pecado” e nos acordam medos antigos. São incursões em saberes escondidos e frequentemente “proibidos”, é vasculhar simbolismos e mitos, tomar sendas que não sabemos onde levam. É preciso armar-se de coragem, e uma espada.

O neófito enfrenta a solidão de quem deixou para trás lugares confortáveis e estáveis, ligações duradouras e seguras. Com isto não queremos dizer divórcios, ou cortes familiares. Falamos de cortes no íntimo de cada um, de desapegos. É fácil confundir desapego com desamor. O amor desapegado é mais forte, mais puro e, sobretudo, em liberdade. 

É esta liberdade que o Iniciado adquire. Para a conseguir, pelo Caminho deixa fantasmas do que foi, deixa vidas nesta vida, imagens da sua história pessoal, medos e sonhos, vivências de quem foi. Passa pela morte de si mesmo. Uma morte íntima e profunda, morte não física mas ainda mais sentida e, porque não?, dolorosa. Torna-se um homem novo.

Pelo Caminho aprendeu a Vontade que persevera, mesmo quando todos se voltam contra ele, mesmo quando é incompreendido, acusado ou apontado. - Eles não fazem por mal, apenas não compreendem que o Caminho que o Iniciado tomou é outro, diferente, onde as Leis e Valores não são os mesmos.

Pelo Caminho aprendeu a ousadia, de descobrir caminhos marítimos  onde habitam Adamastores e desconhecidos. Sim, marítimos, pois somos mares de emoções...

Pelo Caminho aprendeu o Silêncio...

Sim, Eliphas Lévi tem razão em nossa opinião quando diz: “Podeis vê-lo muitas vezes triste, nunca abatido nem desesperado; muitas vezes pobre, nunca envilecido nem miserável; muitas vezes perseguido, nunca abandonado nem vencido”. A tristeza, a pobreza, a batalha fazem parte do Caminho, mas não são o Caminho. O Iniciado adquiriu o equilíbrio perfeito do Centro da Cruz. Ele sabe o Equilíbrio. Ele aprende a Ser, a Viver e não Ser Vivido.

Em busca da Sabedoria, da Iniciação, do Encoberto, passo a passo vamos desbravando mares e caminhos. No olhar a Graal, a Demanda do Ser.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Iniciação


"A razão foi dada a todos os homens, mas nem todos sabem fazer uso dela; é uma ciência que é preciso aprender. A liberdade é oferecida a todos, mas nem todos sabem apoiar-se nela; é um poder de que é preciso apoderar-se.

...

Um iniciado não tem esperanças duvidosas nem temores absurdos, porque não tem crenças desrazoáveis; sabe o que pode e nada lhe custa ousar. Por isso, para ele, ousar é poder.

Sabe os segredos do futuro, ousa no presente e cala-se sobre o passado.

Sabe as fraquezas do coração humano, ousa servir-se delas para fazer a sua obra, e cala-se sobre os seus projectos.
Sabe a razão de todos os simbolismos e de todos os cultos, ousa praticá-los ou abster-se deles sem hipocrisia e sem impiedade, e cala-se sobre o dogma único da alta iniciação.

...

Podeis vê-lo muitas vezes triste, nunca abatido nem desesperado; muitas vezes pobre, nunca envilecido nem miserável; muitas vezes perseguido, nunca abandonado nem vencido.

...

Imitemos o seu exemplo. aprendamos com perseverança; quando soubermos, ousemos e calemo-nos".

Citado de Eliphas Lévi



quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Actividades em Fevereiro 2012

video
03 de Fevereiro
- 18:30 - Reunião dos Iniciados Reiki que actualmente trabalham ou que, num tempo próximo, pretendam fazê-lo. O objectivo é fazer uma actualização das terapias a decorrer e futuras.
10 e 11 de Fevereiro
- Seminário de Iniciação ao I Grau
- Horário de início: 10 de Fevereiro 18:30 e 11 de Fevereiro 10:00 da manhã
18 de Fevereiro
- 15:00 – Meditação,
seguida de
o Apresentação e desenvolvimentodo tema “Radiestesia, o que é?” por Maria José Vigário.
25 de Fevereiro
14:30 – V Aula do Curso de Iniciação ao Tarot
Actividade permanente:
Hatha Yoga – 2ª e 4ª às 19:00