quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Levantar o véu... criticar!!!???


Muitos foram os comentários recebi, tanto por escrito como por voz, ao texto "Criticar!!!???".

Então, vamos lá assentar alguns pontos, se tiverem a paciência para ouvir:

De forma alguma este texto se destina a alguém que por hábito, por espontaneidade, por opinião pessoal, ou outro motivo constructivo, faça uma crítica. Como está dito no texto abaixo," este é um espaço aberto em que a partilha espontânea é soberana".  

Acredito na construção feita de ideias diferentes, que nos fazem reflectir, acredito na troca de opiniões que forçosamente serão diferentes, uma troca franca e visando a reflexão.

Acredito na crítica lançada com o objectivo de melhorar uma situação anteriormente defeituosa.

Acredito na crítica que vem lá do fundo da alma quando se toca em cordas sensíveis cuja música desconhecida sempre foi apelidada de proibida e satânica. 

Acredito na crítica de quem tem dúvidas ardentes e que queimam o peito, transformadas em grito de interrogações.

Acredito na crítica, naquela que tem a coragem de ir contra o estabelecido, de falar quando todos se calam, de exprimir o que outros não têm coragem, não por medo de represálias mas antes por medo do não-amor.

Não é objectivo o julgar quem crítica ou criticou. Aceito todas as críticas, mas - há sempre um mas - doi-me quando essa crítica visa alimentar vaidades, manipular sentimentos, impedir a expressão livre de quem dá o passo ainda hesitante para o desconhecido, para a partilha, a expressão de algo que começa a tomar forma. 

Como foi afirmado, entre nós temos pessoas de MUITO valor, com ideias dignas de serem partilhadas. No entanto, fecham-se, retraem-se... Deixem que a vossa criança da Beleza brinque com a Vida, pintando telas de palavras coloridas, escrevendo contos de maravilhoso, por palavras-flores, sem receio de serem extirpadas. A semente em cada um é um manancial infinito de potencialidades. Vamos lançá-la em boa terra.

Deixem-me apenas dizer - o texto já vai longo - que a crítica pode ser a pedra mais importante na construção. É por ela que vamos avançando, reflectindo, conhecendo. Não temam ser criticados, mesmo que essas palavras sejam injustas no nosso avaliar: elas podem ser os motores potentes que nos fazem voar.

Só mais uma coisinha: nunca percam a espontaneidade de criticar, essa opinião que vem lá do fundo, vestida de cores luminosas para que o nosso mundo seja um arco-iris. É preciso mudar!




quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Iniciação

(Farol de Saturno - Mestre Lima de Freitas)


@

Não dormes sob os ciprestes,
Pois não há sono no mundo.
....................................................
O corpo é a sombra das vestes
Que encobrem teu ser profundo.
                  Vem a noite, que é a morte,
                  E a sombra acabou sem ser.
             Vais na noite só recorte,
         Igual a ti sem querer.
Mas na Estalagem do Assombro 

Tiram-te os Anjos a capa. 

Segues sem capa no ombro, 

Com o pouco que te tapa.
                  Então Arcanjos da Estrada 

                   Despem-te e deixam-te nu. 

                          Não tens vestes, não tens nada : 

                    Tens só teu corpo, que és tu.
Por fim, na funda caverna, 

Os Deuses despem-te mais. 

Teu corpo cessa, alma externa, 

Mas vês que são teus iguais. 

.................................................... 

A sombra das tuas vestes 

Ficou entre nós na Sorte. 

Não 'stás morto, entre ciprestes. 

....................................................

Neófito, não há morte.


Fernando Pessoa

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Criticar.....!!!???

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A vida é feita de movimentos, uns à volta do nosso próprio umbigo, outros à volta do que consideramos ser os nossos ideais.


Ontem recebi uma crítica sobre o facto de ter feito um comentário agradável e grato a um texto do nosso blog. Diziam que só fazia comentários e agradecia a alguns, deixando de lado outros. Não é a primeira vez que recebo admoestações deste tipo. Concordo que talvez seja "injusto" um comentário a um texto e não o fazer a todos. No entanto, se comentasse cada texto tornar-se-ia fastidioso e um hábito rotineiro, tanto para os leitores como para mim.

Expliquei, como aliás já referira num texto anterior neste blog, que a cooperação em textos próprios tem sido escassa.  Não vou discutir as razões desta lacuna - a cada um a reflexão - mas se temos uma colaboração interessante em que acho por bem comentar, comento. Não vou dizer que comento TODOS os textos que são interessantes (ver afirmação acima), mas quando a pena pede para mergulhar na tinta, então deixo-a correr, livre.

Sim, aceito a crítica. Levanta-se-me uma pergunta: o emisor dessa crítica também dá o seu melhor? ou será que é mais fácil criticar do que pôr dedos a caminho, e tentar aventurar-se em terrenos escorregadios e pedregosos da partilha, em que nos sujeitamos a críticas de quem se limita a observar.

Este é um espaço aberto, como me dizia alguém, em que a partilha espontânea é soberana. 

Muitos de entre nós têm o dom da escrita, e muito conteúdo válido e maravilhoso a partilhar. Retraem-se... 
Muitos de entre nós dizem grandes verdades que passam despercebidas. Que pena ficarem na prisão da timidez e insegurança.
Muitos de entre nós gostariam de partilhar, mas as críticas espreitam e as certezas e confiança ainda não são bastantes para enfrentarem o embate...

Que pena tenho por ouvir críticas feitas à volta do umbigo e que não constroem. 
Que pena tenho por não haver críticas que nos fazem avançar, reflectir e mergulhar ainda mais fundo na Verdade que procuramos.

Peço perdão a todos os que lêem e não se sentem incluídos; peço perdão àqueles que lendo, se sentem de alguma forma atingidos pois não tenho o direito de julgar, ou melhor criticar. 

Peço perdão...


segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Actividades em Dezembro




7 de Dezembro
-       19:00 – Aula do Curso de Iniciação ao Tarot – Grupo B


15 de Dezembro
-        14:30Meditação  seguida de
-       Apresentação e desenvolvimento do tema “Perdão ... é Amor” por Fernanda Bastos



22 de Dezembro
-        15:00 – Fecho das Actividades do Ano 2012
                   "Ao Encontro da Beleza: poesia, sons e pétalas mil cores"

  

Nota: o Centro estará encerrado de 24 de Dezembro 2012 a 6 de Janeiro 2013


Actividade permanente:
Hatha Yoga – 2ª às 18h 30 e 4ª às 19:00

sábado, 24 de novembro de 2012

Prece

(O Encoberto do Mestre Lima de Freitas)

            Senhor, a noite veio e a alma é vil.
            Tanta foi a tormenta e a vontade!
            Restam-nos, hoje, no silêncio hostil,
            O mar universal e a saudade.

                              Mas a chama, que a vida em nós criou,
                              Se ainda há vida, não é finda,
                              O frio morto em cinzas a ocultou:
                              A mão do vento pode erguê-la ainda.

                                                     Dá o sopro - ou desgraça ou ânsia -,
                                                     Com que a chama do esforço se remoça,
                                                     E outra vez conquistemos a Distância -
                                                     Do mar ou outra, mas que seja nossa!


In Mensagem,
Fernando Pessoa

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Homenagens




Em conversa, ontem, alguém expressou a sua incompreensão perante a injustiça que habitualmente vive entre nós. Contava uma refeição de caridade, em que muitos trabalharam, uns à sombra do sorriso do coração e fora das luzes da ribalta, outros ocupados em acariciar o seu próprio ego na boa consciência de bem falar, palavras sem eco nos actos. No fim, estes últimos receberam as homenagens. Injustas?

Pergunto-me se a melhor homenagem não foi prestada no silêncio do “despercebido” que fez pelo amor que sente. Haverá recompensa maior do que o olhar grato e silencioso de quem recebeu que fica impresso na memória? Não ficou o coração maior, mais luminoso? A homenagem dos homens preencheu as letras gordas, mas não será mais importante o que não lemos, que passa despercebido, nas letras pequeninas?

Os valores verdadeiros e profundos não necessitam do reconhecimento social, pois brilham por si mesmos no Tempo, deixando rastos como a Estrela de Belém e orientando outros que não buscam nos valores da terra, mas antes nos do Céu.

O Amor (palavra tão apregoada nos tempos que correm), é feito de alma e Raízes, no silêncio dos corações que se dão, no fluir do sangue da Vida oferecida à vida, não entra em saldo,  é caro, é feito de partes de nós mesmos.

Fica a homenagem aos que são Amor em silêncio e despercebidos. 

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Dissertando sobre a VIDA…. enquanto podemos !!

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Muitas continuam a ser as definições da VIDA e sobre o modo como se originou…
Cientistas, filósofos, escritores e tantas e tantas figuras do pensamento têm marcado a sua passagem, por deixar para a história os seus registos quanto ao que pensam e como encaram ou encararam suas vidas.
Seus conceitos, suas reflexões, seus pensamentos estão amplamente divulgados e cabe agora a cada um procurar conhecê-los… se para tanto, isso for de alguma importância para a vida de cada um! A leitura é o exercício mais simples para chegarmos lá…e esta proposta é um convite para uma partilha de meros saberes…
Se vale a pena ler, a decisão cabe a cada um !

1 - Disseram alguns antigos:
Vítor Hugo: “ A vida já é curta, mas nós tornamo-la ainda mais curta, desperdiçando tempo.”
Voltaire: “Deus concedeu-nos o dom de viver, compete-nos a nós viver bem.”
Séneca:  “Apressa-te a viver bem e pensa que cada dia é, por si só, uma vida !”

2 - O que dizem hoje outros…
Laurinda Alves: "A condição essencial para avançar na vida é saber exactamente o que queremos e o que escolhemos. Podemos fazê-lo pela positiva ou, em caso de dúvida e porque nem sempre tudo é muito evidente, recusando certos caminhos. Por outras palavras, quando não sabemos exactamente o que queremos, devemos tentar perceber com a mesma exactidão aquilo que não queremos. Tudo o que não nos serve, portanto."
Eduardo Sá : "Há muita diferença entre temer a morte e amar a vida. Temer a morte deixa-nos em dívida com a vida. Torna-nos minúsculos. Compenetrados dos nossos papéis. Falsos e complicados. (...) Temer a morte deixa-nos levar pelas marés de todos os dias. Amar a vida desafia para as aproveitarmos nas rotas onde nos queremos ao leme."
Inês Pedrosa: “Não temos tempo para ler. Não temos tempo para consolar os inconsoláveis. Não temos tempo para conversar. Não temos tempo para amar. Temos demasiados interesses, demasiado trabalho, demasiadas reuniões, demasiados compromissos. Ou então compras para fazer. Substituímos o tempo pelos centros comerciais. Trocamo-lo por bugigangas, moedas, coisas que brilham. Enchemos o tempo para não olharmos no seu espelho. De repente, quando, por um minuto ou dois, paramos, não gostamos da imagem que essa paragem nos devolve - a imagem do que não soubemos ser, da vida que perdemos no meio das mil coisas que fizemos. Não há cirurgia estética que nos arranque de cima as pregas do tempo que gastámos em vez de vivermos."  
 Mário Zambujal : "Há uma pequenina coisa que é uma importante coisa: é a ausência das coisas negativas. Ao passo que as pessoas mais exigentes da vida precisam que lhes aconteça alguma coisa de muito bom para estarem felizes ou contentes; outras, que têm outra maneira de encarar a vida, estão bem sem que lhes aconteça coisa nenhuma. E isto já é uma forma de estarem livres para saborearem o lado melhor da vida."
Eduardo Prado Coelho: “A vida é sempre um contraponto entre o infinito de certos momentos e a finitude de um quotidiano."
Vania Toledo :” Eu não tenho idade. Tenho vida!”
  
3 - E lembrar uma história para a vida…
Um professor diante da sua turma de filosofia, sem dizer uma palavra, pegou num frasco grande e vazio de maionese e colocou-o em cima da secretária. Com os alunos a entreolharem-se, o professor começou a enchê-lo com bolas de golfe. A seguir perguntou aos estudantes se o frasco estava cheio.
 Todos estiveram de acordo em dizer que "sim".
O professor então pegou numa caixa de fósforos e vazou-os dentro do frasco de maionese. Os fósforos preencheram os espaços vazios entre as bolas de golfe.
O professor voltou a perguntar aos alunos se o frasco estava cheio, e eles voltaram solícitos a responder que "sim".
Logo, o professor pegou uma caixa de areia e vazou dentro do frasco. Obviamente que a areia encheu todos os espaços vazios e o professor voltou a questionar novamente se o frasco estava cheio, ao que os alunos responderam-lhe com um "agora sim" retumbante.
Com os alunos suspensos do que mais podia acontecer, viram o professor de seguida adicionar duas chávenas de café ao conteúdo do frasco, que assim preencheu todos os espaços vazios entre a areia.
Perante isso, os estudantes riram-se desconsertados nesta ocasião. Quando os risos terminaram, o professor seriamente comentou o que havia acontecido à vista de todos e disse:
“- Quero que percebam que este frasco representa a vida, sim a VIDA !
As bolas de golfe são as coisas importantes - a família, os filhos, a saúde, a alegria, os amigos, as coisas que vos apaixonam. São coisas que mesmo que perdêssemos tudo o resto, a nossa vida ainda estaria cheia.
Os fósforos são outras coisas importantes, como o trabalho, a casa, o carro, etc.
A areia é tudo o resto, são as pequenas coisas.
 Se primeiro colocamos a areia no frasco, não haverá espaço para os fósforos, nem para as bolas de golfe. O mesmo ocorre com a vida. Se gastamos todo o nosso tempo e energia nas coisas pequenas, nunca teremos lugar para as coisas que realmente são importantes. Presta atenção às coisas que realmente importam. Estabelece as tuas prioridades... e o resto é só areia."
 Um dos estudantes levantou a mão e perguntou: - Então, e o que representa o café? Perante a admiração da Turma, o professor sorriu e disse: - “Ainda bem que perguntas! Isso é só para lhes mostrar que, por mais ocupada que a vossa vida possa parecer, há sempre lugar para tomar um café com um amigo!!"


-  Posso pedir 2 cafés ?!



Armando Guedes

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

(Foto: Mário Moreira)


Como já devem ter notado, o nosso blog anda um pouco parado. Talvez seja reflexo da vida que se torna mais complexa neste aproximar de fim de ano ou, então, uma falta de inspiração que grassa no meio dos nossos "pestinhas".

Também não temos, nós Caminho, participado com artigos novos de nossa autoria. Ainda estão respostas em aberto a artigos... Uf! Culpa mea! (mesmo que não acreditemos na culpa!!!).

São tantas as conversas interessantes, e que valeria a pena partilhar, que acontecem no nosso espaço...

São tantos os momentos de questionamento e descoberta  que poderiam ser abertos aos leitores....

Sim, sabemos que cabe em grande parte ao Caminho da Montanha essa tarefa, mas como partimos do princípio que o Caminho somos nós, então deixamos em aberto também a cada um a participação.

Vamos tentar ser mais assíduos na escrita.

A todos um bem-hajam por simplesmente serem e fazerem parte deste todo a que se deu o nome Caminho da Montanha.


sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Sentimentos

(Gustave Moreau - A Quimera)


“Independentemente do que acontece fora, podemos aprender a tomar a responsabilidade pelo que sentimos e deixar de culpar os outros. Ao invés de ficarmos irritados, feridos ou com raiva diante da preguiça, desonestidade ou atraso dos outros, podemos optar por permanecer estáveis em resposta ao comportamento das pessoas.
Mesmo se algo aconteceu no passado, não deveríamos culpar o passado pelos sentimentos que temos hoje. Os nossos sentimentos de hoje são nossa responsabilidade e escolha. Tudo que acontece externamente é um estímulo - experiências passadas, situações presentes, movimentos planetários.
Seja qual for o estímulo, a resposta é criada por nós mesmos.

Mas eu, a alma, já sou paz, amor, contentamento. Nada do que está fora precisa de ser perfeito para que possamos experimentar as nossas próprias qualidades. Já as temos.”

BK Shivani
Brahma Kumaris

(Enviado por Clara Carneiro)

quinta-feira, 8 de novembro de 2012


"A mosca que pousa no mel não pode voar; a alma que fica presa ao sabor do prazer, sente-se impedida na sua liberdade e contemplação".

S. João da Cruz



(Enviado por Andreia Sofia Marques)

terça-feira, 6 de novembro de 2012

As três peneiras



Olavo foi transferido de projecto, logo no primeiro dia, para reunir com o novo chefe. Saiu-se com esta:
- Chefe, o senhor nem imagina o que me contaram a respeito do Silva. Disseram que ele...
Nem chegou a terminar a frase, Juliano, o chefe, interrogou:
- Espere um pouco, Olavo. O que vai me contar já passou pelo crivo das três peneiras?
- Peneiras? Que peneiras, chefe?
- A primeira, Olavo, é a da VERDADE. Tem certeza de que esse facto é absolutamente verdadeiro?
- Não. Não tenho, não. Como posso saber? O que sei, foi o que me contaram. Mas eu acho que...

E, novamente, Olavo é interrompido pelo chefe:
- Então a sua história já vazou a primeira peneira. Vamos então para a segunda peneira que é a da BONDADE. O que me vai contar, gostaria que os outros também dissessem a respeito de si?
- Claro que não! Deus me livre, chefe - diz Olavo, assustado.
- Então, - continua o chefe – a sua história vazou a segunda peneira.

- Vamos ver a terceira peneira, que é a da NECESSIDADE. Acha mesmo necessário contar-me esse facto ou mesmo passá-lo adiante?
- Não, chefe. Passando pelo crivo dessas peneiras, vi que não sobrou nada do que eu iria contar - diz Olavo, surpreendido.
- Pois é, Olavo, já pensou como as pessoas seriam mais felizes se todos usassem essas peneiras? diz o chefe e continua:
- Da próxima vez em que surgir um boato por aí, submeta-o ao crivo destas três peneiras: VERDADE - BONDADE - NECESSIDADE, antes de obedecer ao impulso de o passar adiante, porque:

PESSOAS INTELIGENTES FALAM SOBRE IDEIAS, PESSOAS COMUNS FALAM SOBRE COISAS, PESSOAS MEDÍOCRES FALAM SOBRE PESSOAS.

(Enviado por Sara Dias)

domingo, 4 de novembro de 2012

Para uma reflexão sobre a oração-modelo


No seguimento do trabalho efectuado pela Teresa, recebemos esta reflexão.

(Pintura: Michelangelo)

(Nota: Tem sido manifesto que este espaço, é para além de um local de encontro,  uma oportunidade de partilha e debate, onde é proporcionado expor as nossas “visões” da vida… e no caso em apreço, aqui este tema é trazido, sujeito ao escrutínio de quem  lê e em síntese exposto e assumido na primeira pessoa) .

… Milhões e milhões de orações já foram feitas a Deus, desde que Jesus deu aos seus discípulos a Oração-modelo. Comummente conhecida como o “Pai-Nosso”, muitos repetem esta oração palavra por palavra, em muitos locais e circunstâncias.
  Com a ajuda do registo bíblico podemos ver que em certa ocasião, no ano 32 EC, um discípulo de Jesus o observou enquanto Ele orava.
Quando Jesus terminou, o discípulo disse-lhe: ”Senhor, ensina-nos a orar”, conforme registado em Lucas 11:1. A oração fazia parte da vida e da adoração dos judeus. De modo que o discípulo não pediu algo que não sabia ou que nunca fizera. Provavelmente sentiu que havia uma enorme diferença entre as orações santimoniosas dos rabinos e o modo de Jesus orar.
Já por um ano e meio antes, no seu Sermão do Monte, Jesus dera aos seus discípulos um modelo em que basear suas orações. (Mateus 6:9-13). É possível que este discípulo não estivesse presente naquela ocasião, de modo que Jesus repetiu os pontos essenciais daquela oração, sem todavia ter repetido palavra por palavra.(Lucas 11:1-4).
A este propósito Jesus havia ensinado: ”Ao orardes, não digais as mesmas coisas vez após vez, assim como fazem os das nações, pois imaginam que são ouvidos por usarem de muitas palavras”. (Mateus 6:7)

(Pintura: Giotto)
De forma breve, e tomando notas quanto ao registo nas Escrituras, vamos procurar examinar a oração, amplamente identificada como o “Pai-Nosso”, e que incorpora um mundo de informações. O seu texto está na nossa sociedade bem presente e contém sete pedidos, sendo três deles referidos aos propósitos de Deus e quatro às nossas necessidades materiais e espirituais.
Disse Jesus: “Portanto, tendes de orar do seguinte modo: ‘Nosso Pai nos céus, santificado seja o teu nome. Venha o teu reino. Realize-se a tua vontade, como no céu, assim também na terra. Dá-nos hoje o nosso pão para este dia. Perdoai-nos os nossos pecados, pois também nós perdoamos àqueles que nos ofenderam. E não nos deixeis cair em tentação. E livrai-nos do iníquo”.
Esta oração-modelo constituiria assim um padrão para todos quantos manifestassem o desejo sincero de se achegarem a Deus em oração e do modo como deviam orar.
 Mostra-nos ainda o tipo de coisas pelas quais orar e a importância relativa das coisas.

Consideremos cada parte do Pai-Nosso e notemos o pedido inicial que estabelece logo as prioridades.
“Nosso pai nos céus santificado seja o teu nome”. Essas palavras iniciais da oração-modelo ajudam à identificação de Deus, por nos dirigirmos a ele como “nosso Pai”, tal como uma criança se sente atraída a seu pai amoroso e compreensivo, confiantes de que ele nos quer ouvir.
Acresce a importância de pedir que se santifique ou torne santo, o Seu nome. Mas qual é o nome de Deus? O “AntigoTestamento” em língua hebraica, era já conhecido, e por cerca de 6000 vezes o seu nome era identificado pelo Tetragrama e pronunciado, mas pelo longo desuso a sua pronúncia é agora desconhecida. Alguns especialistas, como na versão católica - Bíblia de Jerusalém - são favoráveis ao uso do nome Iahweh, outros modernistas formularam o nome Jeová, como o nome divino em português. (Salmos 83:18; Êxodo 6:3)  Sendo que outras línguas têm o seu modo de o pronunciar.
O seu nome na oração reflecte a posição de quem O reconhece como o soberano universal.
Orar pela santificação do nome de Deus mostra a posição de cada um na questão da soberania universal – totalmente a favor do direito de Deus governar o universo… habitado por criaturas inteligentes, que se submetem alegre e voluntariamente à Sua soberania justa porque o amam e por tudo o que o seu nome representa, como hoje acontece com o nome de cada um.
Ajuda ainda a refrear de fazer algo que poderia vituperar esse santo nome e expressa confiança de que o propósito de Deus se cumprirá para o seu louvor.

“Venha o teu reino. Realize-se a tua vontade, como no céu, assim também na terra”.
A maioria das pessoas imagina que o céu seja um lugar de paz e tranquilidade.
As Escrituras referem-se ao céu como morada de Deus “de excelsa santidade e beleza”. Assim, não é de admirar que oremos que a vontade de Deus seja realizada na Terra assim “como no céu”.
Daniel, profeta de Deus predisse que “O Deus do céu estabelecerá um reino que jamais será arruinado…esmiuçará e porá termo a todos estes reinos (governos terrestres), e ele mesmo ficará estabelecido por tempos indefinidos” (Daniel 2:44).
Esse reino ou governo celestial agirá em breve para trazer paz global à Humanidade na Terra por meio de um governo justo.
Orar pela vinda do Reino de Deus, e para que a sua vontade seja feita na Terra é uma manifestação de fé, que não trará desapontamento, conforme o apóstolo cristão João escreveu: “…..Deus está com a humanidade, e ele residirá com eles e eles serão seus povos. E o próprio Deus estará com eles. E enxugará dos seus olhos toda a lágrima e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor….. estas palavras são fieis e verdadeiras “ (Revelação 21:3-5)
Poderíamos dizer que a plena vontade de Deus está sendo realizada na Terra afligida por violência, injustiça, doença e morte ? De modo algum. Por isso é apropriado continuar a orar pela vinda do Reino para se realizar a vontade de Deus na Terra.

Dá-nos hoje o nosso pão para este dia. Na Oração-modelo, Jesus mostrou que a nossa preocupação deve centrar-se com o nome e a vontade de Deus.
No entanto, prossegue com pedidos pessoais feitos a Deus, como o mencionado, para que providencie as nossas necessidades diárias, se o amamos e lhe obedecemos.
Ao dizer dá-nos, Jesus também ensinava a lembrar-nos das necessidades dos outros.
O pedido para as necessidades da vida deve ser modesto…contrapondo uma vida devotada primariamente a adquirir e acumular bens materiais.
(Pintura: Jeronimo Bosh)

Perdoai-nos nossos pecados assim como nós perdoamos àqueles que nos ofenderam.
Significa que Deus está pronto a perdoar, com a mesma certeza de que uma “dívida” pode ser totalmente cancelada, como o cometimento de sérias transgressões, desde que haja arrependimento genuíno, e oração com confiança, como aconteceu com o rei David (Salmos 86:5)
No entanto Jesus mencionou uma condição: Para sermos perdoados por Deus, temos de perdoar os outros, com espírito… perdoador, sendo assim beneficiados pela misericórdia Dele.
A disposição de Deus de ouvir as nossas petições apesar de sermos imperfeitos deve induzir-nos a procurar a sua aprovação, apesar Dele reconhecer a imperfeição humana.
Ainda assim Deus pode ajudar-nos, conforme Jesus mostrou no importante pedido que conclui a oração modelo.
Ficaremos cientes das nossas fraquezas e mais tolerantes com as limitações dos outros.

Não nos leves à tentação, mas livra-nos do iníquo. 
Deus não nos abandona numa tentação, nem nos faz cair no pecado. Afinal Deus permite o uso do livre arbítrio.
Deus não tenta ninguém para fazer o mal, mas são os nossos próprios desejos que podem engodar-nos.
Pela oração somos induzidos a pedir a protecção contra a iniquidade.
Afinal Deus pode livrar do ”iníquo”, identificado com Satanás, o grande tentador, que é o governante do mundo e que o mantém sob o seu domínio.(1 João 5:19)
Com este objectivo permanente, tem tentado desviar a humanidade da adoração pura de Deus e assim tem mantido o mundo sob o seu controle e poder.
Nestas circunstâncias é apropriado recorrer regularmente a Deus em busca de ajuda, especialmente quando confrontados com a tentação persistente, ou fazer o que se sabe não agradar a Deus.
Cabe a cada um procurar servir a Deus segundo a sua Palavra inspirada, que está ao dispor de toda a Humanidade. Conforme registado em João 17:17 “… a tua palavra é a verdade” e aos cristãos cabe assim “adorá-lo com espírito e verdade”.(João 4:24) … em qualquer momento, em qualquer lugar e em qualquer situação.


por armandoguedes 28.10.12

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

1 de Novembro



Ontem e hoje vêm falar-nos de silêncio, esse eco do Grande Desconhecido. Muitas são as referências na Tradição à Grande Passagem, mas de uma forma ou de outra o nosso corpo físico teme este fim. Não por falta de fé, não por desconhecimento, mas simplesmente a morte é o fim da sua existência tal como o conhecemos. E todos os saltos para o desconhecido assustam.

(Jack o'Lantern)
Na noite de 31 de Outubro a 1 de Novembro celebra-se o Dia das Bruxas ou Halloween. Dizem uns que não era celebrado entre nós e que são “coisas do estrangeiro”. Ora, recordo-me de, na infância, ir buscar uma abóbora, retirar-lhe o miolo e depois criar um rosto de “bruxa” com uma vela no interior. Não havia o ritual das visitas casa a casa, mas era vivido interiormente. Talvez os ecos viessem do Tempo. A abóbora assemelha-se à Jack o’Lantern, a abóbora iluminada das partidas na Irlanda e Bretanha no tempo dos Celtas. Vejamos: os Celtas não acreditavam em demónios, mas antes em entidades mágicas que eram consideradas hostis tanto para os humanos como para os animais e colheitas. Era costume, nesta noite, pregarem partidas aos vizinhos, como trocar os animais por figuras humanóides, assustadoras, como eram a abóbora iluminada. 


(Roda do Mundo)
Esta noite assinalava o Samhain dos Celtas, ou seja a passagem do ano: fim do ano velho e começo do ano novo. Era a época em que se acreditava que havia um portal entre dois planos de existência que abria: as almas dos defuntos podiam visitar as suas casas e famílias, havia a ceia “sagrada” partilhada entre todos uma vez que a Cortina estava aberta.

Acontecia também o chamado Sidhe, a antevisão do outro mundo. As crianças que peregrinam de porta em porta pedindo doces simbolizam os sidhs que passavam interplanos nesta noite.

E mais, um nevoeiro mágico que cega habitualmente as pessoas, dispersava-se no Samhain e, desta forma, os elfos e as outras criaturas elementais podiam ser vistos pelos humanos.

Esta Festa está ligada ao Culto dos Ancestrais tão caro no nosso país e aqui perpetuado embora cristianizado. Em muitas das nossas aldeias dispersas neste país abandonado e mal-conhecido muitas e variadas são as formas. Por cá, como em outras partes do mundo, vamos ao cemitério a 1 de Novembro, tradição imposta pelos costumes antigos, e deixamos flores e luzes num rito de dádiva e lembrança. É momento de comemoração íntima.



A nossa forma de partilhar? Onde o passado e o presente se encontram, num rito luminoso anunciando o futuro? O Agora, o único Realmente existente.