sábado, 30 de março de 2013

(Imagem: Paracleto, Mestre Lima de Freitas)


Que a Ressurreição de Vida, subida da  seiva, no eclodir das flores e renascimento consciente....

Nestes 3  dias de reconstrução do Templo, depois do adormecimento sofrido e sacrificial,

Uma
Páscoa  feliz, cântico de Luz e  despertares, em cores verde e vermelho, de Sabedoria e Conhecimento,

Profecias anunciando o Devir da  Luz!

terça-feira, 26 de março de 2013


"A lógica leva-te de A para B. A imaginação leva-te para todo o lado"  
in 
Albert Einstein 
(Físico teórico alemão famoso pela sua Teoria da Relatividade, recebeu um prémio Nobel da Física e era também grande apaixonado pela música e defensor dos direitos humanos)




Lógica - estudo filosófico do raciocínio válido
Imaginaçãocapacidade de formar novas imagens e sensações que não são percepcionadas pelos sentidos

A lógica tem-nos trazido imensos benefícios nos campos das diversas ciências e uma melhor compreensão do que nos rodeia e da Natureza, mas talvez tenha como seu ponto frágil o facto de limitar bastante a nossa experiência naquilo que transcende a lógica atual. Se é verdade que no passado o grande peso que imaginação tinha levou à criação de muitos mitos e medos nos diversos povos, hoje em dia a cada vez mais importância dada à lógica pura poderá ter tendência a criar seres humanos mais frios, menos criativos e menos humildes, com visões muito restritas. 

Mas o que será a imaginação? Um conjunto de neurónios que com alguma vontade própria comunicam entre si e criam aquilo a que chamamos ideias? Ou será é um estado alterado de consciência que nos liga a um mundo transcendente onde a sabedoria é infinita? É preciso reconhecer que é graças à lógica que se consegue colocar em prática as ideias inspiradoras da imaginação, em que um pintor consegue representar a sua ideia numa tela com tintas, que um músico consegue trazer para este mundo uma melodia através dos instrumentos, que um engenheiro consegue a partir de um monte de peças criar um dispositivo que concretize determinado objetivo. A lógica tem prestado um grande serviço à imaginação, porém num mundo cada vez mais sem tempo para parar e refletir um pouco, a inteligência criativa está a perder terreno em favor da inteligência lógica. Não será verdade que as mais belas obras de arquitetura são na sua esmagadora maioria as que foram feitas no passado? Atualmente temos edifícios inteligentes, energeticamente eficientes e resistentes a terramotos, mas a grande parte não passa de formas geométricas básicas e desinspiradas, todas iguais entre si, estragando muitas vezes a harmonia da paisagem e da Natureza. Estaremos a afastar-nos da nossa fonte divina e a cair num materialismo da lógica reducionista? Estará a nossa mente com as suas limitações dos cinco sentidos a ficar cada vez mais cega e presa num mundo visto apenas à sua maneira? 
Talvez Einstein quisesse chamar a atenção para o facto de não ficarmos estagnados no ponto B, ele que terá sido com toda a certeza um dos lógicos mais imaginativos do século XX.

segunda-feira, 25 de março de 2013

A Certeza e a Dúvida


Desde sempre, o Homem procura a Verdade. Conforme a cultura, o meio, a educação, etc., essa busca realiza-se mais ou menos ligada a uma religião. 
Nos tempos actuais, a distância física dominuiu, tornando próximo o que anteriormente estava longe. Assim aconteceu com a cultura religiosa. O Caminho não está particularmente ligado a nenhuma religião, respeitando-as todas. Como nos inserimos cultural e geograficamente no meio da cultura judaico - cristã, fazemos por abrir portas ... entre elas outras linhas de pensamento. Assim, vamos publicando artigos, contos, poesias de várias origens. 

Pela Beleza!




Buda estava reunido com seus discípulos certa manhã, quando um homem se aproximou:

- Deus existe? - perguntou.

- Existe - respondeu Buda.

Depois do almoço, aproximou-se outro homem.

- Deus existe? - quis saber.

- Não, não existe - disse Buda.

No final da tarde, um terceiro homem fez a mesma pergunta:

- Deus existe?

- Você terá que descobrir - respondeu Buda.

Assim que o homem foi embora, um discípulo comentou, revoltado:

- Mestre, que absurdo! Como o Senhor dá respostas diferentes para a mesma pergunta?

- Porque são pessoas diferentes, e cada um chegará à resposta por seu próprio caminho. O primeiro acreditará em minha palavra. O segundo fará tudo para provar que estou errado. E o terceiro só acredita naquilo que é capaz de provar por si mesmo.




Conto Zen

domingo, 24 de março de 2013

Hoje: Mário de Sá Carneiro

(Odilon Redon: Orpheu)
Como eu não possuo


Olho em volta de mim. Todos possuem
Um afecto, um sorriso ou um abraço.
Só para mim as ânsias se diluem
E não possuo mesmo quando enlaço.

Roça por mim, em longe, a teoria
Dos espasmos golfados ruivamente;
São êxtases da cor que eu fremiria,
Mas a minh'alma pára e não os sente!

Quero sentir. Não sei... perco-me todo...
Não posso afeiçoar-me nem ser eu:
Falta-me egoísmo para ascender ao céu,
Falta-me unção pra me afundar no lodo.

Não sou amigo de ninguém. Pra o ser
Forçoso me era antes possuir
Quem eu estimasse --- ou homem ou mulher,
E eu não logro nunca possuir!...

Castrado de alma e sem saber fixar-me,
Tarde a tarde na minha dor me afundo...
Serei um emigrado doutro mundo
Que nem na minha dor posso encontrar-me?...

Como eu desejo a que ali vai na rua,
Tão ágil, tão agreste, tão de amor...
Como eu quisera emaranhá-la nua,
Bebê-la em espasmos de harmonia e cor!...

Desejo errado... Se a tivera um dia,
Toda sem véus, a carne estilizada
Sob o meu corpo arfando transbordada,
Nem mesmo assim --- ó ânsia! --- eu a teria...

Eu vibraria só agonizante
Sobre o seu corpo de êxtases doirados,
Se fosse aqueles seios transtornados,
Se fosse aquele sexo aglutinante...

De embate ao meu amor todo me ruo,
E vejo-me em destroço até vencendo:
É que eu teria só, sentindo e sendo
Aquilo que estrebucho e não possuo.

Mário de Sá Carneiro

Poeta, contista e ficcionista, membro da Geração d'Orpheu, nasceu em Lisboa, (1890 - 1916). Inadaptado aos seu tempo, depois de Coimbra, estudou em Paris, correspondeu-se com Fernando tornando-se íntimo com este. Sá Carneiro, Pessoa e Almada Negreiros editam a Revista Orpheu, nascendo assim o primeiro grupo modernista português (o modernismo, influenciado pela correntes vanguardistas da época, tinha como objectivo escandalizar a sociedade burguesa). O Grupo d'Orpheu marcou o seu tempo e ainda continua a incutir o seu timbre.



sexta-feira, 22 de março de 2013

Páscoa, ressurreição e vida!....



(Loureiros no Centro - Joana)


Na próxima 4ª. Feira, pelas 19:00 vamos blablar, comentar, os símbolos da Páscoa. Que o Fogo da animação seja tão forte e crepitante como aconteceu nas duas anteriores tertúlias sobre Adão e Eva. 

A participação é aberta e livre....

Boa Primavera a todos, renascimento e ressurreição da vida....

quinta-feira, 21 de março de 2013

As histórias “malcontadas” da Cigarra e da Formiga…



E a formiga sempre determinada, incansável no seu trabalho, de um lado para o outro, ia colhendo e acumulando alimento para sobreviver no inverno… enquanto a cigarra, essa miserável, por ter levado uma vida de descanso e cantorias, apertava o “cinto” por ser preguiçosa desmiolada… E era o que bem merecia, dizia-se!
Assim é de todos conhecido o resultado! Por gerações e gerações de formigas e cigarras, tudo continuou como dantes… transformando-se num ensino com tal peso, que ainda hoje persiste e perdurará…

 E embora não conste que tenha havido extinção das cigarras, estava assim encontrado o modelo de lição de moral a tirar, para o trabalho e para a preguiça, como referido num antigo provérbio de Salomão:   “A preguiça causa profundo sono e o indolente passa fome”.

Ora acontece que ali ao lado, bem perto, noutra sociedade de formigas e cigarras, todas trabalhavam numa harmoniosa convivência.
Ao canto da cigarra, a formiga sentia alegria no trabalho … e com esse entusiasmo, o seu trabalho até se manifestava mais produtivo; E na caminhada em passo ritmado, no seu lufa lufa, a formiga mal depositava os alimentos, lá no fundo da cova na despensa colectiva e bem protegida, rapidamente voltava ao cimo e deliciava-se com as melodias que ouvia da cigarra!
E as formigas continuaram por gerações e gerações a sentirem-se felizes por partilharem da bela companhia…da cigarra, que assim sempre tem prestado com o seu canto, um valioso contributo para o bem estar e felicidade das formigas…
E assim viviam muito felizes, partilhando o que de melhor podiam dar e receber, cada uma segundo os seus dotes e capacidades… continuando por gerações e gerações a conviver em perfeita harmonia… E nada consta que pensem em mudar, nem tão pouco que a cigarra corra risco de extinção ou deixe de prover o seu alimento devido e no tempo apropriado.

Entretanto na sociedade dos humanos, as “formigas trabalhadoras” também continuam a ter muito apreço pelo canto e pelos dotes doutras “cigarras” na arte da música… e do canto, continuando a ter muita simpatia e apreço por elas, reconhecendo que também prestam um valioso serviço às “formigas “ por dar tanta alegria no viver…
Estas em reconhecimento do seu valor, dão e retribuem como proventos do seu trabalho, para continuarem a ver e admirar os seus distintos dons artísticos, reunindo-se para as ouvir em toda a época do ano, em consertos, saraus, bandas, festivais, ou mesmo para serem ouvidas em gravações em casa das formiguinhas e formigas trabalhadoras !!!
E assim vão percebendo e aceitando o papel que cada um tem na sociedade humana, onde a tantas “cigarras” lhes dá atributos de honra a muitas delas! E isto continua por gerações…

Mas… mas ainda dentro da sociedade humana têm prosperado uma outra espécie, uma prole de €igarras degeneradas que também se apresentam como trabalhadoras, e que com um outro canto melodioso muito ao seu jeito, estão a destruir a harmonia que se queria na sociedade humana.
Promovem-se como “cigarras” organizadoras do trabalho, ajudadoras e insubstituíveis na vida de cada um… causando afinal um mal irreparável de pobreza, infelicidade e tristeza à geração presente.
Seu canto soa a agiotagem e exploração das “formigas trabalhadoras”, deixando-as cada vez mais pobres e sem emprego, e tantas já sem de comer para além do inverno…
Avaras(os) numa ambição desmedida e miserável, vivendo pelo prazer ao dinheiro, seu deus, procuram tão só a riqueza, revelando-se duma crueldade desumana que traz tamanho sofrimento e angústia a tantos povos “formigas e formiguinhas” por todo esse mundo fora! Mal destes tempos! Que não se livra desta praga de bandos de “cigarras” com sede insaciável do dinheiro e do lucro, enquanto houver tanto “egoísmo e ganância” no Homem, a proliferar em crescendo por aí…
São agora outras, como esta, as histórias reais em que valerá a pena pensar… pensamos!

Por RamalhoDeQueirós

(Enviado por Armando Guedes)

segunda-feira, 18 de março de 2013

Palavras, quem sois?

(Mark Henson - Double Helix)



As palavras reduzem a realidade a algo que a mente humana consegue compreender, o que não é grande coisa. A linguagem consiste em cinco sons básicos  produzidos pelas cordas vocais: as vogais «a, e, i, o, u». [...]

Quando vivemos num mundo desprovido de abstracção mental, deixamos de ser capazes de sentir a vitalidade do Universo. A maior parte das pessoas não vive numa realidade viva, mas numa realidade conceptualizada.

In Eckhart  Tolle, Um Novo Mundo

Estes extractos do livro Um Novo Mundo podem levantar muitas questões, sobretudo quando as citações não são enquadradas no contexto. Quase apetece gritar a indecência, sobretudo do primeiro extracto: denegrir as palavras? Crime! Na verdade Tolle fala de redução da realidade a sons organizados que quando postos ao serviço da mente diminuem o sentido real.




A forma mais simples de explanar uma ideia é o exemplo. Assim, tomemos o termo “árvore”. Podemos dissertar em palavras sobre o termo “árvore” sem sequer nos aproximarmos da totalidade do ser “arvore”.  Não podemos exprimir, sem entrarmos no domínio do abstrato, o ser que denominamos árvore., em todos os seus aspectos, na sua totalidade. Simultaneamente, ao termo árvore, cada um irá fazer uma imagem própria aos seus contornos conceptivos e que não é retrato fidedigno do ser.

De uma forma habitual as palavras servem para nos indicar o material e visível ou rotulado que existe. Separam objectos ou fragmentam, conceptualizam.

Só a Realidade da abstracção nos consegue transportar para além das palavras. Só por ela podemos transmitir o que não é conceptuável, mas antes vital. Numa meditação conseguimos eventualmente aceder ao mundo abstrato, onde Tudo se revela e podemos abranger o todo do ser. Posteriormente vem a dificuldade de exprimirmos esse mundo em palavras: estas não conseguem descrever, pois não “pertencem” a esse plano que não é conceito.

Os poetas, os pintores, os músicos usam outra linguagem: tentam transmitir-nos através do Belo, da imagem ou do som (os poetas falam por imagem, não é?), a Realidade que os habita.

Noutro contexto: em todo o texto acima falamos de palavras, o que é diferente da Palavra. A Palavra é Sopro criador, cujo reflexo apagado e diminuto é as palavras. Como reflexo, as palavras têm o seu potencial de força neste plano, uma vez que lhes atribuímos importância e com elas acreditamos criar. Na verdade, é o nosso Ser que cria, é a Palavra que cria. Sem a Vontade, as palavras são inertes, sem Realidade criadora.

São as palavras que alimentam a nossa mente e nos habitam. Quantas vezes pensamos ser autónomos, inteligentes, supra-sumos, pois as palavras que cremos formarem ideias rodopiam na nossa cabeça. Quantas vezes nos sentimos exaustos, pois os pensamentos afluem ininterruptamente sem que os consigamos deter? Somos génios?

Em nossa opinião apenas nos deixamos “possuir pelos fantasmas palavras” que nos sugam a energia e nos impedem de aceder ao Silêncio (Realidade Absoluta). Sim, passamos a imagem de altamente intelectuais ou mentais (são apenas palavras), inteligentes, etc..... Rotulamos o mundo que conhecemos. Criamos o medo, o desejo, a ansiedade,  etc, etc., etc. Não vivemos, somos vividos pelas palavras, pelos conceitos, rótulos, que elas nos transmitem. Não somos Livres!

Todo o texto é constituído por palavras, podem dizer-nos... Verdade! Apenas fica a esperança de que através delas e pela reflexão ou meditação constituam trampolim para além delas, para a Palavra do Ser.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Feirinha da Primavera



Estava agendada para este fim de semana a Feirinha da Primavera em favor do Rosto Solidário (coordenadas abaixo). Todavia, devido a dificuldades momentâneas, não vai ser realizado este evento neste fim de semana. 
Foi decidido que seria realizado, talvez em moldes ligeiramente diferentes do inicialmente previsto, para uma data posterior.

Um voto de gratidão às responsáveis por este evento, pelo trabalho até agora realizado.


O Rosto Solidário

Rua Mestre António Joaquim, 8

4520-239 Santa Maria da Feira
Portugal
256 336 001 | 912 550 631
Geral | geral@rostosolidario.ptDirecção | direccao@rostosolidario.ptCooperação para o Desenvolvimento | cooperacao@rostosolidario.ptComunicação e Educação para o Desenvolvimento | comunicacao@rostosolidario.ptApoio à Família | servicosocial@rostosolidario.ptCotas e Donativos | secretaria@rostosolidario.pt

terça-feira, 12 de março de 2013

Recordação de um Poeta...




“Parti de Guimarães à procura de Santa Maria de Lamas sem saber o que iria encontrar. Daquelas coisas de viagens no desconhecido para experimentar... Sem discurso elaborado - com algumas notas que não usei - fiquei na expectativa que tudo se revelasse... Nunca tinha levado o livro a meio igual.

Começamos pela meditação que achei muito interessante para preparação de um evento cultural. Sempre fico preocupado - no início - no que posso dizer que eleve o momento como prémio para os que dizem e os que ouvem. Mas como habitualmente acontece, com quem está na vida por paixão e se dá por amor, tudo acaba por ter a força da alma. E penso que a ALMA de todos se elevou...”

Agora, no balanço de tudo, quero agradecer-lhe a dedicação que revela dar ao Centro. O Caminho da Montanha foi e é para mim uma surpresa boa. Ninguém adivinha o futuro mas sabe-se pelos caminhos que trilhamos e através e tantas revelações, que nos deixam perplexos, que a nossa vida tem sentido quando conseguimos gerar amizade, provando o que tantas vezes tenho afirmado: “se durante a nossa vida não conseguirmos construir AMIZADE, de nada valeu termos nascido.”

Fiquei feliz por ter associado o poema “Como chegar à montanha”, do meu “Renascer” aos princípios do Centro. O livro publicado em 2006 teve ontem uma festa única e muito especial.

Senti que todos vivemos um momento único e interessante, inolvidável. Fiquei muito feliz por ver pessoas emocionadas com as minhas palavras e os meus poemas... Penso que a minha obra está a seguir o seu caminho e a seara que tenho tratado começa a dar seus frutos. Nos abraços finais senti muito calor e ouvi a revelação de pessoas que não gostavam de poesia mas a partir da nossa presença ficaram a gostar. TODOS GANHAMOS, na Cultura e no Bem-estar.

Obrigado por ter selecionado para mim a flor de girassol que significa felicidade. “A cor amarela ou os tons cor de laranja das pétalas simbolizam calor, lealdade, entusiasmo e vitalidade, refletindo a energia positiva do sol.” Espero que nos traga a prometida sorte e boas vibrações. E a fama, sucesso, longevidade, nutrição, poder e calor sejam sentidas na vivência de todos os Amigos do Centro.

Junto uma foto do local onde o girassol, agora ilumina.

Bem-haja ao Caminho da Montanha, à Alice e todos os Amigos do Centro.

Abraços
Angelino Pereira

segunda-feira, 11 de março de 2013

Como chegar à montanha!


Porque não há acasos, e fechando por momentos este ciclo Angelino Pereira, um poema deste...

Sem mais comentários!


(Ilustração no livro Renascer)


Saber como chegar à montanha,
Observar as estradas que a circundam
E as florestas que à sua volta se vêem!
E por entre todos os objectivos
De cada um, nos caminhos e trilhos,
Que a vida obriga a percorrer!
E lá, no topo e lá no cume, sem esmorecer,
De onde se pode atingir o mundo,
Observar o mesmo sonho de todos:
Alcançar o caminho da montanha,
Fazer as marcas do tempo!
Nos lugares vistos da montanha!
Nas picadas e nos galhos quebrados nos tropeços da vida,
Sem esquecer a experiência de quem já foi à montanha!
E quando alguém começar a subir à montanha do sonho,
Preste atenção ao redor, aos precipícios contidos,
Porque sempre existem despenhadeiros perigosos,
Por inveja ou invejosos,
Que geram fendas quase imperceptíveis!
Há pedras polidas pelas tempestades
que se tornam escorregadias no gelo da multidão!
E quem não souber colocar os pés,
Não conseguirá saber como contornar essas armadilhas da vida!

No tempo da Primavera e em todas as Estações,
Vão mudando constantemente a paisagem
E, se estiver muito tempo na montanha
Pode não conseguir descer!
Mas simplesmente cair!
E porque se a paisagem sempre muda,
É preciso ter o objectivo em mente: mudar!
De repente, pode não saber, como subir ou descer!
Subir alto é preciso ter presente,
que à medida que se vai subindo mais coisas
podem ser vistas, além!
Mas também,
é preciso parar de vez em quando para desfrutar
do que nos rodeia!
Porque se andar, depressa demais, pode ficar cansado
E desistir da montanha,
Mas, se andar devagar demais, pode ficar perdido na noite
E, não encontrar o caminho para sair da montanha!
Aproveite a paisagem da montanha!
Observe tudo o que o rodeia,
Cresça no sonho da montanha!
Desfrute da água fresca, dos mananciais de fruto do paraíso,
Da natureza e da sua generosidade,
Mas nunca se esqueça do mundo que nos rodeia,
Porque viver faz parte de um todo!
O que parece perto está longe!
O longe se faz perto, porque deste modo,
toda a gente pode chegar à montanha!

E quando lá no alto, alegre-se quem lá chegar,
chore, bata palmas, grite ou cante!
Deixe que o vento leve bem longe a sua alegria!
Diga a todos que vale a pena chegar à montanha!
E que essa montanha é de todos!

Angelino Pereira, in Renascer

domingo, 10 de março de 2013

Encontros de Poesia




Hino à PAZ

Sou eu, és tu, ou outro qualquer.

Não importa quem és, homem ou mulher.

Importa sim, amar-te como Deus quer!

E se o amor é respeitar e bem querer.....

Então a nossa amizade vai durar

até Deus nos chamar

e, a felicidade eternamente nos conceder.


Ontem,

Foi Hino, Cântico de Vida, partilha, emoção, paixão, Fogo… Dádiva de poeta da alma, declamado pelo amor-companheira, transmitida em movimento circundante, re-nascido na Arte de dizer, fonte de amar.

Foram muitos os temas abordados por Angelino Pereira, desafiado pelo Armando – companheiro de longa data. A sala uniu-se numa energia feita de palavras sentidas, ditas tímida ou com a certeza da alma….

 Angelino falou da dor de dar à luz uma obra nascida das suas entranhas, do amor da concepção, do sofrimento do abandono à vida desse filho da alma que é um livro.


Falou de passados que permitiram a força e o valor apenas adquiridos pela vontade do querer. E tudo envolvido, amassado no amor.

Falou da sociedade presente, da falta de solidariedade, fantasma presente, tantas vezes ocultado por estratagemas e desculpas.

Falou da solidão, não aquela que por vezes buscamos para marcarmos encontro com o nosso Norte, mas da outra, aquela que dói, penetra até aos ossos. Aquela que nasceu nos meandros desta sociedade que tem e não é. Aquela que vem no tempo que passou sem se dar conta, fechados no quotidiano de ilusões egocêntricas. Enfim, diz Angelino Pereira:

                     Não vou ficar!

                     Sei lá por onde ando 

                     Na contagem dos meus passos 

                     Empoeirados no tempo!

                     Sei lá o que faço

                     Na miragem de enlaços

                     Caminhada de alento

                     Sei lá p’ra onde vou

                     Nem sei mesmo onde estou

                     Quando aqui pareço estar

                     E se fico onde estou

                     Que importa p'ra onde vou

                     Sei que não vou cá ficar!

                     (Poema publicado na Antologia da Ed.Cidade Berço "Poetas de Sempre II Volume - Setembro 2001).



A tarde passou depressa, demasiado, no tempo que não se dá conta, nesse Intervalo que se abre de quando em quando, sempre que mergulhamos, em voo livre, no Infinito da Criação.

E todos fomos poetas, uns porque tornaram Palavra o âmago do sentir, outros porque o coração vibrou em consonância e Souberam o poeta….

Um agradecimento muito especial ao Armando Guedes que permitiu este encontro, e que tanto deu....


A todos bem-hajam!







MINHA FONTE DE PRAZER

             Meu encanto minha vida

             Minha fonte do prazer

             Minha loucura desmedida

             Nos meus tempos de lazer

Nas ondas dos teus seios

Nas curvas das tuas ancas

Entre folhos nos permeios

Com teu corpo me encantas


E na vontade de viver

Que eu procuro sem cessar

É na fonte do prazer

Que eu volto a renascer







Os poemas são, é óbvio, de Angelino Pereira







(Fotografias: Ernesto Henriques, de telemóvel)



quarta-feira, 6 de março de 2013

O sabor da Poesia





Será que é preciso gostar de poesia para compreender, ou escrever, poemas? 

Lembro-me, na minha juventude, de detestar “Os Lusíadas”, e só mais tarde me reconciliei com a poesia, através das obras de Fernando Pessoa, onde aprendi a ver poesia, mesmo nas suas prosas.

A Poesia é uma das” linguagens” da alma (outras serão, a música, a pintura, a escultura…).
Quando escrevemos aquilo que sentimos, descrevemos o que a nossa alma sente. Mas, o mesmo poema, pode despertar emoções e sentimentos diferentes, a quem o lê.

Estive presente no lançamento do livro “Antologia dos poetas de Espinho”, na Biblioteca José Marmelo e Silva, meu saudoso professor, que deixou uma obra pequena de grande valor, praticamente desconhecida, e surpreendeu-me ver uma sala cheia de gente atenta.
Foram lidos vários poemas, uns, com sabor a frutos maduros de Verão e aromas de flores primaveris, outros, eram como ventos soprando na nossa consciência adormecida….

Alguém disse que somos um País de Poetas. Eu concordo. Poeta não é só aquele que escreve Poemas: Há quem faça poesia, no trabalho, nas suas relações pessoais, na sua família. 

Quantos Gestos de ternura valem mil poesias? E quantos poemas se tecem quando se faz AMOR?


Linda Silva