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sexta-feira, 19 de julho de 2013

(Eu sou o Mundo de Salvador Dali)

Todos nós temos momentos difíceis neste correr dos dias. Dias de mágoa, de dor, de raiva, de aborrecimentos, de perda, e toda a panóplia de sofrimentos humanos, são entremeados de momentos de alegria, sucesso, boas notícias, amores, esperança, elogios, etc...
Na maioria dos casos os momentos de pesar são mais fortes do que os momentos de bem-estar.

Este oscilar dos pratos da balança emocional provoca desequilíbrios que, quando não reconhecidos e cuidados, se podem instalar em cada um de nós como hóspedes indesejados mas constantes.

A vida é um movimento constante de emoções. Animam o corpo psicológico e psíquico tal como o sangue e a linfa fazem no corpo físico. Assim como o sangue reage a um corpo intruso ou a uma inflamação, acorrendo com os mecanismos de defesa próprios, usando a dor e o abcesso no combate à doença, como meios de cura e salvaguarda da saúde. De cada episódio desta luta interna pela saúde, o sangue guarda memórias. A cada novo perigo o sangue reage utilizando TODOS os meios ao seu dispor, alguns dos quais tinham sido guardados em memória de outras batalhas. Desta forma, cada um de nós é um depositário de milhões de memórias de lutas internas do nosso sangue para nos mantermos saudáveis e sorridentes. Podemos concluir que na nossa essência somos feitos para sermos saudáveis e equilibrados.

De cada vez que sentimos dor, reagimos procurando “ajuda” para o nosso guardião, o sangue. Então vamos diagnosticar a causa da dor e a partir do diagnóstico tratar. Este é um processo normal.

O que fazemos com a dor psicológica? A dor na alma?

Também temos, a este nível, o correspondente ao sangue físico: a energia. Cada vez que há uma emoção mais intensa – seja positiva ou negativa – acontece um desequilíbrio energético, logo reposto pelo nosso sangue psicológico a energia. O ideal para nós seria a “invulnerabilidade aos picos emotivos”.

Todos nós, sem excepção, temos vórtices energéticos que nos proporcionam a irrigação energética de todo o corpo. Asseguram o bem-estar psicológico e a harmonia do nosso sistema energético. As emoções alteradas constituem uma sobrecarga ao trabalho destes vórtices. Quando se esgota as possibilidades de reposição harmoniosa da energia, sobrevém a chamada doença física.

Habitualmente trata-se os sintomas da dor psicológica, sem que seja diagnosticada e tratada a causa. É como se tivéssemos, por exemplo, uma dor, seguida de inchaço num dente e apenas tomássemos analgésicos. É evidente que deixaríamos de sentir a dor, mas o problema permaneceria. Fazemos isso com, por exemplo, as depressões. Não se procura a causa, mas vai-se tomar o anti-depressivo que anula os sintomas.

Como vamos chegar à causa? É possível tratar sem conhecermos a causa?


segunda-feira, 24 de junho de 2013

Que estranho sentimento é este que envolve os seres?


Antes de ler, tomar nota de que este artigo poderá ser um "lugar comum".

Hoje um amigo enviou este vídeo que poderia ser visto e arquivado como tantos outros.... Exactamente, tantos outros.... São muitos os documentos que recebemos de gestos, actos de amor entre os seres, neste caso particular entre o felino e o humano.

Neste vídeo o gatinho é exemplo de uma paciência, delicadeza e carinho que habitualmente nós, humanos, nos atribuimos a nós mesmos exclusivamente. Pensamos ser os donos do amor, da inteligência, enfim da vida. 

Se reflectirmos e aprofundarmos um pouco verificamos que na verdade existe uma corda que une todos os seres numa corrente de amor: os minerais, as plantas, os animais.... 

Os minerais são calcados diariamente, constituem o solo de apoio dos nossos pés, calçam as montanhas, formam tapetes belíssimos onde correm os rios e nos deliciamos calcorrear nas sendas de montanha, nas praias... Rochedos ou areia fina, são minerais!

As plantas alimentam-nos, tanto o corpo físico pela alimentação como o nosso "corpo de beleza" na inspiração. Formam as florestas que nos permitem respirar, aromatizam o ar com os perfumes que exalam e nos inebriam e fazem voar, sacrificam-se para que nos aqueçamos, tenhamos abrigo, remédios para o corpo e para a alma. E muito mais!

Os animais, essas maravilhas que nos acompanham no movimento e, quantas vezes, na evolução da vida, uma enumeração simples é difícil: amam-nos, desafiam-nos, alimentam-nos, consolam-nos, inspiram-nos, aquecem-nos, a alma e o corpo, são companheiros de jornada ou belezas longínquas; fizemos deles deuses ou demónios, mas nunca nos foram indiferentes.

Juntam-se os três reinos, mineral, vegetal e animal nesta Terra Mãe, símbolo de Amor. 


Refecte-se na forma como tratamos a Terra o respeito que temos por todos os seres vivos - os 3 Reinos - que nos rodeiam, com quem interagimos e de quem dependemos.

Sim, dependemos. Esquecemo-nos, no nosso orgulho de homens-ditos-senhores, que dependemos da Terra, dos 3 Reinos, para sobrevivermos. Que infelizes somos na nossa cegueira! Criamos necessidades que não o são, chamamos progresso à destruição, vivemos na inversão de valores pensando ser o válido, construimos mitos efémeros a que nos agarramos, enfim vivemos numa quimera que nos levará ao caos de onde emergimos.

E no entanto sopra sempre uma corrente de Amor entre os seres, todos os seres. Se não estivessemos cegos, surdos e perdidos acederíamos ao apelo da Vida e entraríamos na Corrente.

Se pelo menos olhássemos ao Amor que brota à nossa volta nos 3 Reinos que muito menosprezamos....
Se pelo menos tivéssemos a coragem de assumir que não somos senhores de nada, muito menos da Terra, e que o material não é Deus.
Se pelo menos relessemos os escritos passados e retornássemos ao respeito pelo que nos rodeia.
Se pelo menos ouvíssemos o que dizem os Anciãos.

Não querendo ser arauto da desgraça, mas muito actual, transcrevo uma pequena passagem de um manuscrito caldeu que data de cerca de 2000 anos A.C. e que foi encontrado num templo de Lhasa:

"Quando a estrela de Baal caiu no local onde hoje só há água e céu, as sete cidades tremeram e vacilaram com as suas torres de ouro e os seus templos transparentes, como folhas de árvore sob a tempestade.
...
Então, o sábio Mu, grande sacerdote de Ra-Mu, levantou-se e disse:
- Morrereis todos, com os vossos escravos e os vossos tesouros. Das vossas cinzas nascerão novos povos. Se esses povos esquecerem que devem dominar as coisas materiais não só para engrandecerem por elas, mas também para não se deixarem dominar por elas, espera-os a mesma sorte."

Quando os elos da corrente de Amor se tornam mais frágeis, talvez seja necessário refazê-la. É natural, pois de Amor somos feitos e concebidos e é para a Nascente que nos encaminhamos. 

É sobre o material que devemos caminhar e avançar, servindo-nos, mas não o servindo.  Os 3 Reinos auxiliam e caminham a nosso lado, amparando. Eles não são o material. O material é criado pelo homem, no seu apego.




domingo, 9 de junho de 2013

Vida depois da vida - Victor Hugo





Quando morreu, no século XIX, no seu cortejo fúnebre, em plena Paris, Victor Hugo arrastou nada menos que dois milhões de acompanhantes. Foi um lutador das causas sociais, defensor dos oprimidos, divulgador do ensino e da educação.

Este escritor de génio deixou textos inéditos que, por sua vontade, apenas foram publicados após a sua morte.

Um deles fala exactamente do homem e da imortalidade. Traduz-se mais ou menos pelas seguintes palavras: 
"A morte não é o fim de tudo.
Ela não é senão o fim de uma coisa
e o começo de outra.
Na morte o homem acaba,
e a alma começa.
Que digam esses que atravessam a hora fúnebre,
a última alegria, a primeira do luto.
Digam se não é verdade que ainda há ali alguém,
e que não acabou tudo?
Eu sou uma alma.
Bem sinto que o que darei ao túmulo não é o meu eu, o meu ser.
O que constitui o meu eu, irá além.
O homem é um prisioneiro.
O prisioneiro escala penosamente
os muros da sua masmorra.
Coloca o pé em todas as saliências
e sobe até ao respiradouro.
Aí, olha, distingue ao longe a campina,
Aspira o ar livre, vê a luz.
Assim é o homem.
O prisioneiro não duvida que encontrará
a claridade do dia, a liberdade.
Como pode o homem duvidar se vai encontrar a eternidade à sua saída?
Por que não possuirá ele um corpo sutil, etéreo.
De que o nosso corpo humano não pode ser senão um esboço grosseiro?
A alma tem sede do absoluto e o absoluto não é deste mundo.
É por demais pesado para esta terra.
O mundo luminoso é o mundo invisível.
O mundo do luminoso é o que não vemos.
Os nossos olhos carnais só vêem a noite.
A morte é uma mudança de vestimenta.
A alma, que estava vestida de sombra,
vai ser vestida de luz.
Na morte o homem fica sendo imortal.
A vida é o poder que tem o corpo de manter
a alma sobre a terra, pelo peso que faz nela.
A morte é uma continuação.
Para além das sombras,
estende-se o brilho da eternidade.
As almas passam de uma esfera para outra, tornam-se cada vez mais luz.
Aproximam-se cada vez mais e mais de Deus.
O ponto de reunião é no infinito.
Aquele que dorme e desperta, desperta e vê que é homem.
Aquele que é vivo e morre, desperta e vê que é Espírito”.









terça-feira, 14 de maio de 2013



Nos tempos que correm, a justiça tem andado pelas ruas da amargura, dizem. Actualmente assiste-se ao inverter dos valores tanto na vida pessoal como em sociedade: ganham os que usam meios obscuros, os que utilizam técnicas de "abate" cego, ou seja sobem à custa do próximo, etc. A lista é longa pois a imaginação humana é pródiga.

E ouve-se clamar que não há justiça! A revolta vai nascendo nos corações dos injustiçados.

Todavia, há uma Justiça! Não a justiça humana, mas outra. Aparece nos jogos de Tarot - Lâmina VIII - é aflorada no Antigo Testamento e Jesus falou muito d'Ela. É citada em todas as crenças e filososfias. É a Justiça que é feita pelo próprio Universo: a Lei da Causa e Efeito, pois nada é casual tudo é causal!

Quem estiver atento vai notar que a onda que criar - de bem ou de mal - em tempo relativo irá receber a sequela. Com isto não se pode deduzir de forma nenhuma que devemos aceitar tudo sem perguntas, sem acções...

Lembramos que a não-acção é também uma acção.

Com isto pretendemos apagar toda a desculpa para a passividade perante a (in)justiça humana. Ver alguém com fome e não tentar alimentar essa pessoa por passividade, por esperar que a Justiça divina lhe dê de comer é um erro. Ver alguém ser espancado e não intervir por esperar uma intervenção divina é um erro. Estamos a agir pela não-acção e a permitir que o nosso próximo sofra.

Acreditamos que enquanto houver dor não seremos totalmente felizes. Enquanto um Homem chorar o nosso coração chora também...

À medida que vamos criando Efeito de Amor, à nossa volta os seres vão sentindo essa vibração. Pode ser Causa de mudança. 

E se cada um pusesse mãos à Obra?

segunda-feira, 6 de maio de 2013




Uma mensagem de Dolores Cannon muito interessante. É longo, mas vale a pena ir até ao fim.

http://www.youtube.com/watch?v=hoGdZOzYAxQ


A cada um de nós tirar as ilacções.


(Enviado por Miguel Ângelo)

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Energia e iluminação

(Pormenor do jardim das Hespérides de Mestre Lima de Freitas)


Energia é uma expressão com vários sentidos, a nível científico e a nível místico. Se tomarmos este último, estamos a referir-nos ao Fogo Serpentino, Força Solar ou Energia Prânica. É constituída pela Kundalini e que impulsiona o processo de iluminação.

Que energia é esta? É real?

Ao longo do tempo milhares de indivíduos tiveram o processo de iluminação, descrevendo-o como uma experiência de clarividência ou iluminação, levando-nos ao termo luz. Esta iluminação pode ser descrita como o desenvolvimento de um tipo de energia, ou carga eléctrica, no interior do sistema nervoso até ao cérebro e as reacções químicas e biológicas  que ocorrem no nosso cérebro. Podem ser ocasionadas de várias formas, nomeadamente meditação, oração, dervixe, etc.. Estes métodos, que funcionam realmente, induzem estados alterados de consciência, através das reacções eléctricas, biológicas e químicas que desencadeiam.

Os antigos escolheram o simbolismo da árvore, o axis ou a coluna como condutores desta energia serpentina. Existem descrições deste “despertar” da energia:

“De repente senti alguma actividade na base da minha coluna. Uma sensação de energia tremente e ondulante começou a subir pelas minhas costas. Senti como se cada tronco nervoso da minha coluna tivesse começado a arder. Podia sentir vórtices de electricidade  girando em ocais que tinham sido descritos como chakras”.

Outra descrição:

“Subitamente, vagas de energia – como cargas eléctricas – subiam num ápice pela minha coluna acima. Gradualmente transformaram-se numa corrente firme de energia quente que fluía desde a ponta da minha coluna até ao topo do meu crâneo”.

Estas são descrições de Jenny Randles e Peter Hough de experiências actuais.

Esta energia pode ser bastante perigosa se não for correctamente usada, como é mencionado na literatura antiga. Trata-se da energia dual da serpente ou naga. É um Fogo Serpentino poderoso que gera um fogo real, uma vez que os átomos são agitados de tal forma que a constituição molecular do corpo humano já não é capaz de conter a energia. O iluminado terá de controlar a sua própria libertação de energia. Como descreve Gopi Krishna “ficava muitas vezes preocupado com o facto de não haver ninguém que o ajudasse a controlar o processo e mais de uma vez sofreu os efeitos negativos do Fogo Serpentino, incluindo sensações de queimadura intensa”.

O lado masculino ardente – yang – da Kundalini tem de ser equilibrado pela água ou lado feminino – Yin. O equilíbrio correcto leva-nos ao ente supremo que tem vários nomes. Citando alguns: na literatura cristã, o Espírito Santo; nos textos hebraicos o Rauch Ha Kodesh, o Vento Sagrado; no hinduísmo tem muitos nomes, dos quais Prana e Fogo Líquido; na alquimia Fogo Serpentino ou Energia Solar; na Polinésia o Mana, a Força Vital; para os nórdicos Wodan.

Há muitas formas de designar a iluminação, mas o que é importante frisar é que é universal.

sexta-feira, 12 de abril de 2013



Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora.
Tenho muito mais passado do que futuro.

Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas.
As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados.
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.

Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.

Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos.

Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral.

'As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos'.

Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa...

Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade,
Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade,
O essencial faz a vida valer a pena.

E para mim, basta o essencial! 


                              Eugénio de Andrade

(Enviado por Maria João G.)

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Violência...


Violento este video....


Na verdade a violência é algo destruidor, profundamente. A violência é a expressão do ego na sua versão mais "pesada". Pode realizar-se por pensamentos ou gestos, em relação a humanos, animais, plantas, natureza enfim,  ou a si próprio(a).

Violência, a negação maior do que Somos realmente... Por vezes pode fazer parte dos meandros do Caminho, desesperados. Um facto é que nunca traz a solução, a Paz que de uma forma ou de outra procuramos. Pelo contrário, gera movimentos potentes de resposta da própria Vida que vai retribuir.

Quanto mais afastados estamos do nosso Ser, mais perdidos em questões do "fazer", "ter", "parecer" - partes integrantes da nossa personagem egóica - mais violento é o afluxo de pensamentos, ideias, desejos, apegos, etc. em certos casos incontroláveis (gerando psicopatas).

Deixamo-nos possuir pelo ego(s), acreditando mesmo que ele faz parte integrante de nós mesmos. Lutamos por ele, passamos a vida iludidos com a imagem do que pensamos ser (melhor, imagem essa ditada pelo ego), agredindo quem ou o que à nossa volta não se coaduna com o mundo criado por valores fictícios e perecíveis. 

Assim se vai gerando violência. Violência contra o que nos impede de conseguir objectivos importantíssimos como ter um grande carro, roupas de marca ou mesmo um canudo... Violência contra o que está à nossa volta e que, cegos, não vemos: a beleza das flores, o sol que nasce todos os dias num espectáculo de cor único, a maravilha de respirar - movimento constante de toda a nossa vida... Violência contra nós mesmos porque não conseguimos ter, fazer, atingir a imagem que faria de nós mesmos a pessoa perfeita.... Mas... nós somos perfeitos na nossa essência! Esquecimento terrível que nos amargura a vida, no desencontro entre o Ser que somos e a "pessoa que pensa em nós, dentro de nós, por nós, o ego". 

Nesta ilusão de sermos vividos, violentamos, matamos, desrespeitamos a própria Vida. Abandonamos quem, inocentes e sábios do amar, apenas buscam a presença, o carinho, a atenção.... 

Que tristes somos... tantas vezes.... vezes demais!


(Video enviado por Stela Z.)

quinta-feira, 21 de março de 2013

As histórias “malcontadas” da Cigarra e da Formiga…



E a formiga sempre determinada, incansável no seu trabalho, de um lado para o outro, ia colhendo e acumulando alimento para sobreviver no inverno… enquanto a cigarra, essa miserável, por ter levado uma vida de descanso e cantorias, apertava o “cinto” por ser preguiçosa desmiolada… E era o que bem merecia, dizia-se!
Assim é de todos conhecido o resultado! Por gerações e gerações de formigas e cigarras, tudo continuou como dantes… transformando-se num ensino com tal peso, que ainda hoje persiste e perdurará…

 E embora não conste que tenha havido extinção das cigarras, estava assim encontrado o modelo de lição de moral a tirar, para o trabalho e para a preguiça, como referido num antigo provérbio de Salomão:   “A preguiça causa profundo sono e o indolente passa fome”.

Ora acontece que ali ao lado, bem perto, noutra sociedade de formigas e cigarras, todas trabalhavam numa harmoniosa convivência.
Ao canto da cigarra, a formiga sentia alegria no trabalho … e com esse entusiasmo, o seu trabalho até se manifestava mais produtivo; E na caminhada em passo ritmado, no seu lufa lufa, a formiga mal depositava os alimentos, lá no fundo da cova na despensa colectiva e bem protegida, rapidamente voltava ao cimo e deliciava-se com as melodias que ouvia da cigarra!
E as formigas continuaram por gerações e gerações a sentirem-se felizes por partilharem da bela companhia…da cigarra, que assim sempre tem prestado com o seu canto, um valioso contributo para o bem estar e felicidade das formigas…
E assim viviam muito felizes, partilhando o que de melhor podiam dar e receber, cada uma segundo os seus dotes e capacidades… continuando por gerações e gerações a conviver em perfeita harmonia… E nada consta que pensem em mudar, nem tão pouco que a cigarra corra risco de extinção ou deixe de prover o seu alimento devido e no tempo apropriado.

Entretanto na sociedade dos humanos, as “formigas trabalhadoras” também continuam a ter muito apreço pelo canto e pelos dotes doutras “cigarras” na arte da música… e do canto, continuando a ter muita simpatia e apreço por elas, reconhecendo que também prestam um valioso serviço às “formigas “ por dar tanta alegria no viver…
Estas em reconhecimento do seu valor, dão e retribuem como proventos do seu trabalho, para continuarem a ver e admirar os seus distintos dons artísticos, reunindo-se para as ouvir em toda a época do ano, em consertos, saraus, bandas, festivais, ou mesmo para serem ouvidas em gravações em casa das formiguinhas e formigas trabalhadoras !!!
E assim vão percebendo e aceitando o papel que cada um tem na sociedade humana, onde a tantas “cigarras” lhes dá atributos de honra a muitas delas! E isto continua por gerações…

Mas… mas ainda dentro da sociedade humana têm prosperado uma outra espécie, uma prole de €igarras degeneradas que também se apresentam como trabalhadoras, e que com um outro canto melodioso muito ao seu jeito, estão a destruir a harmonia que se queria na sociedade humana.
Promovem-se como “cigarras” organizadoras do trabalho, ajudadoras e insubstituíveis na vida de cada um… causando afinal um mal irreparável de pobreza, infelicidade e tristeza à geração presente.
Seu canto soa a agiotagem e exploração das “formigas trabalhadoras”, deixando-as cada vez mais pobres e sem emprego, e tantas já sem de comer para além do inverno…
Avaras(os) numa ambição desmedida e miserável, vivendo pelo prazer ao dinheiro, seu deus, procuram tão só a riqueza, revelando-se duma crueldade desumana que traz tamanho sofrimento e angústia a tantos povos “formigas e formiguinhas” por todo esse mundo fora! Mal destes tempos! Que não se livra desta praga de bandos de “cigarras” com sede insaciável do dinheiro e do lucro, enquanto houver tanto “egoísmo e ganância” no Homem, a proliferar em crescendo por aí…
São agora outras, como esta, as histórias reais em que valerá a pena pensar… pensamos!

Por RamalhoDeQueirós

(Enviado por Armando Guedes)

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

"Se estás a atravessar um inferno, continua a andar" 
in
 Winston Churchill

(Político inglês, ganhou notoriedade como primeiro-ministro durante a II Guerra Mundial, sendo também historiador, escritor e artista, tendo recebido um Prémio Nobel da Literatura)


Sempre que atravessamos uma fase difícil na vida, parece que os nossos pensamentos não param de nos fustigar sempre com o mesmo assunto. Aceitar que as coisas são como são e tentar resolvê-las ou então seguir em frente, parece quase impossível aos olhos do comum mortal. 
Porquê este incessante fluxo de pensamentos sempre à volta do mesmo problema, sabendo-se racionalmente que isso não vai ajudar em nada? Será que o masoquismo é um defeito de fabrico do ser humano, ou melhor, da mente humana? Talvez seja uma maneira do nosso ego se sentir vivo graças ao drama que cria à volta de qualquer assunto incómodo. Talvez seja uma maneira desse ego nos distrair da nossa atenção do "eu consciente", de maneira a que possa continuar a comandar a nossa vida à sua maneira.  
Mas como evitar cair neste ciclo vicioso? No Antigo Testamento é contada a história da destruição de Sodoma em que Deus permite a Lot e sua família escapar desse destino, abandonando a cidade com a condição de não olharem para trás. Porém a esposa deste cai na tentação de olhar e transforma-se numa estátua de sal. Será esta história mais uma demonstração de um Deus implacável, ou poderá ser encarada como um conselho amigo para esta vida? À semelhança do relatado neste episódio, seguir em frente sem olhar para trás é condição necessária para se sair dos infernos na nossa vida ou de evitar voltar a eles. É certo que falar é sempre mais fácil que o fazer, mas em última instância a escolha é sempre nossa. 
Através de um trabalho diário para nos mantermos cada vez mais presentes no momento e no verdadeiro Eu, será cada vez mais fácil sermos senhores da nossa vida e continuar em frente sem muitas hesitações até ao fim do nosso caminho. Mas até que ponto cada um estará disposto a fazer esse trabalho com dedicação de corpo e alma sem sucumbir às desculpas e pretextos que o nosso ego astutamente usa para não perder o comando? No fim, a escolha é sempre nossa...

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Nada existe... ?



Yamaoka Tesshu, quando era um jovem estudante Zen, visitou um mestre após outro.  Um dia, finalmente, foi até Dokuon de Shokoku.

Desejando mostrar o quanto já sabia, disse, vaidoso:

-       A mente, Buddha, e os seres sencientes, além de tudo, não existem. A verdadeira natureza dos fenómenos é vazia. Não há realização, nenhuma desilusão, nenhum sábio, nenhuma mediocridade. Não há o Dar e tampouco nada a receber!


Dokuon, que fumava, pacientemente, nada disse. Subitamente acertou Yamaoka na cabeça com o seu longo cachimbo de bambu.

A reacção do jovem foi ficar muito irritado. Berrava imprecações.


-       Se nada existe," perguntou, calmo, Dokuon, "de onde veio toda esta sua raiva?


Conto Taoista
o 

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013



Na procura de cada alma vemos a busca do equilíbrio.
E a essa, chamamos os nomes que a cada mais serve; crescimento, evolução, cura! Todos, todos com a força do correr, do andar, e da busca desse…
Oceano desconhecido à razão, mas conhecido ao sentir.
O rio! Encontra-se…
O calmo, o lento, o apertado ou largo, perturbado ou até o “rápido”. Suas águas lentas se demoram na chegada, ao contrário, os rápidos, obrigando ao correr, sofridos e turbulentos levam mais depressa a concretos Oceanos.
Tal como rios, nossa alma assim se espraia, tal como rios, nossa alma chora, tal como rios, a dor nos apressa.
E é sempre o Oceano que aguarda, e é lá que as águas se acalmam, se aprofundam e se fundem no Só no Uno.
Bem hajam

José Cavalheiro Homem

Fotografia: Praia da Granja - Joana

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

(Foz do Douro em 20 Janeiro 2013)

“Olho por olho acaba por tornar o mundo inteiro cego”

in
Mahatma Ghandi
(Idealizador e fundador do atual Estado Indiano e grande defensor do princípio da não agressão e da resistência pacífica)

É certo que a expressão do “olho por olho e dente por dente” será uma das mais conhecidas e polémicas do Antigo Testamento. Talvez deixe de ser tão polémica se soubermos que na altura esta regra veio introduzir alguma justiça ao que vigorava anteriormente em que qualquer vingança normalmente era bastante selvagem e desproporcionada em relação ao delito que a desencadeou.

Mas porquê a existência desse sentimento considerado tão pouco nobre nos dias de hoje?
Talvez nos primórdios poderia ter cumprido a sua missão de tentar estabelecer um equilíbrio de limites e liberdades nas comunidades que se foram formando, mas nos dias de hoje é algo que se pode tornar perigoso e incontrolável como alerta Ghandi na sua mensagem, em que violência gera mais violência e que toda a gente em determinada altura cometerá algum tipo de ofensa a outrem.

Será a vingança tão necessária neste momento em que existem instituições com a função de manter o equilíbrio da vida em sociedade assim como a integridade do indivíduo, mesmo não sendo perfeitas? E qual o ganho resultante em pequenas vinganças relativas a ofensas menores como em amizades e relacionamentos em que tenhamos sido magoados de alguma maneira? Terá sido uma paz duradoura? Melhor auto-estima? Um ego(centrismo) restabelecido? Será que ao oferecermos a outra face não estaremos simplesmente a dar menos importância às coisas mundanas e passageiras e a concentrarmo-nos no que realmente importa da vida?

Para terminar deixo aqui a conclusão do psicólogo Ian McKee que afirma que as pessoas mais vingativas tendem a ser aquelas motivadas pelo poder, pela autoridade e pelo desejo de importância. Será que lá no fundo é alguma destas coisas que está por detrás daqueles nossos momentos de raiva? Ou será simplesmente o desejo pelo sentimento de justiça igual para todos?

André Silva

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013




"A lua está dentro de mim e também o sol. O tambor intocado da eternidade soou dentro de mim mas meus ouvidos surdos não o ouviram."

Kabir



(Enviado por Carlos Manuel)

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Dissertando sobre a VIDA…. enquanto podemos !!



Muitas continuam a ser as definições da VIDA e sobre o modo como se originou…
Cientistas, filósofos, escritores e tantas e tantas figuras do pensamento têm marcado a sua passagem, por deixar para a história os seus registos quanto ao que pensam e como encaram ou encararam suas vidas.
Seus conceitos, suas reflexões, seus pensamentos estão amplamente divulgados e cabe agora a cada um procurar conhecê-los… se para tanto, isso for de alguma importância para a vida de cada um! A leitura é o exercício mais simples para chegarmos lá…e esta proposta é um convite para uma partilha de meros saberes…
Se vale a pena ler, a decisão cabe a cada um !

1 - Disseram alguns antigos:
Vítor Hugo: “ A vida já é curta, mas nós tornamo-la ainda mais curta, desperdiçando tempo.”
Voltaire: “Deus concedeu-nos o dom de viver, compete-nos a nós viver bem.”
Séneca:  “Apressa-te a viver bem e pensa que cada dia é, por si só, uma vida !”

2 - O que dizem hoje outros…
Laurinda Alves: "A condição essencial para avançar na vida é saber exactamente o que queremos e o que escolhemos. Podemos fazê-lo pela positiva ou, em caso de dúvida e porque nem sempre tudo é muito evidente, recusando certos caminhos. Por outras palavras, quando não sabemos exactamente o que queremos, devemos tentar perceber com a mesma exactidão aquilo que não queremos. Tudo o que não nos serve, portanto."
Eduardo Sá : "Há muita diferença entre temer a morte e amar a vida. Temer a morte deixa-nos em dívida com a vida. Torna-nos minúsculos. Compenetrados dos nossos papéis. Falsos e complicados. (...) Temer a morte deixa-nos levar pelas marés de todos os dias. Amar a vida desafia para as aproveitarmos nas rotas onde nos queremos ao leme."
Inês Pedrosa: “Não temos tempo para ler. Não temos tempo para consolar os inconsoláveis. Não temos tempo para conversar. Não temos tempo para amar. Temos demasiados interesses, demasiado trabalho, demasiadas reuniões, demasiados compromissos. Ou então compras para fazer. Substituímos o tempo pelos centros comerciais. Trocamo-lo por bugigangas, moedas, coisas que brilham. Enchemos o tempo para não olharmos no seu espelho. De repente, quando, por um minuto ou dois, paramos, não gostamos da imagem que essa paragem nos devolve - a imagem do que não soubemos ser, da vida que perdemos no meio das mil coisas que fizemos. Não há cirurgia estética que nos arranque de cima as pregas do tempo que gastámos em vez de vivermos."  
 Mário Zambujal : "Há uma pequenina coisa que é uma importante coisa: é a ausência das coisas negativas. Ao passo que as pessoas mais exigentes da vida precisam que lhes aconteça alguma coisa de muito bom para estarem felizes ou contentes; outras, que têm outra maneira de encarar a vida, estão bem sem que lhes aconteça coisa nenhuma. E isto já é uma forma de estarem livres para saborearem o lado melhor da vida."
Eduardo Prado Coelho: “A vida é sempre um contraponto entre o infinito de certos momentos e a finitude de um quotidiano."
Vania Toledo :” Eu não tenho idade. Tenho vida!”
  
3 - E lembrar uma história para a vida…
Um professor diante da sua turma de filosofia, sem dizer uma palavra, pegou num frasco grande e vazio de maionese e colocou-o em cima da secretária. Com os alunos a entreolharem-se, o professor começou a enchê-lo com bolas de golfe. A seguir perguntou aos estudantes se o frasco estava cheio.
 Todos estiveram de acordo em dizer que "sim".
O professor então pegou numa caixa de fósforos e vazou-os dentro do frasco de maionese. Os fósforos preencheram os espaços vazios entre as bolas de golfe.
O professor voltou a perguntar aos alunos se o frasco estava cheio, e eles voltaram solícitos a responder que "sim".
Logo, o professor pegou uma caixa de areia e vazou dentro do frasco. Obviamente que a areia encheu todos os espaços vazios e o professor voltou a questionar novamente se o frasco estava cheio, ao que os alunos responderam-lhe com um "agora sim" retumbante.
Com os alunos suspensos do que mais podia acontecer, viram o professor de seguida adicionar duas chávenas de café ao conteúdo do frasco, que assim preencheu todos os espaços vazios entre a areia.
Perante isso, os estudantes riram-se desconsertados nesta ocasião. Quando os risos terminaram, o professor seriamente comentou o que havia acontecido à vista de todos e disse:
“- Quero que percebam que este frasco representa a vida, sim a VIDA !
As bolas de golfe são as coisas importantes - a família, os filhos, a saúde, a alegria, os amigos, as coisas que vos apaixonam. São coisas que mesmo que perdêssemos tudo o resto, a nossa vida ainda estaria cheia.
Os fósforos são outras coisas importantes, como o trabalho, a casa, o carro, etc.
A areia é tudo o resto, são as pequenas coisas.
 Se primeiro colocamos a areia no frasco, não haverá espaço para os fósforos, nem para as bolas de golfe. O mesmo ocorre com a vida. Se gastamos todo o nosso tempo e energia nas coisas pequenas, nunca teremos lugar para as coisas que realmente são importantes. Presta atenção às coisas que realmente importam. Estabelece as tuas prioridades... e o resto é só areia."
 Um dos estudantes levantou a mão e perguntou: - Então, e o que representa o café? Perante a admiração da Turma, o professor sorriu e disse: - “Ainda bem que perguntas! Isso é só para lhes mostrar que, por mais ocupada que a vossa vida possa parecer, há sempre lugar para tomar um café com um amigo!!"


-  Posso pedir 2 cafés ?!



Armando Guedes