sexta-feira, 13 de maio de 2016

Um Conto Zen


Neste início do Séc. XXI, tempo de viragem, ainda há quem se questione sobre as diferenças religiosas de princípio entre as várias linhas de pensamento e religiões. Acreditamos que a mente se questiona, estabelece diferenças, divide. Mas o Espírito Sabe. E sabe que Tudo é Um.

Quando, mais uma vez se aproxima o 10 de Junho, aniversário d'O Caminho da Montanha, deixamos um conto Zen.



Sermão da Montanha
 

Um dos monges do mestre Gasan visitou a universidade em Tokyo. Quando regressou, perguntou ao mestre se ele alguma vez tinha lido a Bíblia Cristã.

-       Não - replicou Gasan - Por favor leia algo dela para mim.

-       O monge abriu a Bíblia no Sermão da Montanha, em São Mateus, e começou a ler. Após a leitura das palavras de Cristo sobre os lírios no campo, parou. O Mestre Gasan ficou em silêncio por muito tempo.


-       - Quem quer que proferiu estas palavras é um ser iluminado. O que leu para mim é a essência de tudo o que eu tenho estado tentando ensinar  aqui.


(- E o que é que este Conto tem a ver com o 10 de Junho?

                        Será que alguém responde?)

sábado, 30 de abril de 2016

Tempo pela Terra



O Centro ainda encerrado. Recuperação mais longa do que o esperado. Todavia, o  trabalho continua. Assim deve ser, no quotidiano, no silêncio, individualmente. Os laços continuam vivos de outras formas que não a física. Tempo de prova aos alicerces que foram sendo construídos. Também é necessário.

Por vezes o reencontro para matar saudades, partilhar. Tempo de Meditação! 

Fica o convite para a próxima 5ª Feira, 5 de Maio, como habitualmente pelas 18:30.







O Grupo de Peregrinos de Amarante, pela voz da Manuela Cristina (filha da Mãe Lina), solicita apoio para os peregrinos, como tem sido habitual. Como o Centro se encontra encerrado, fica a cada um, individualmente, participar.

Os locais são:

Dia 6 de Maio - Albergaria
Dia 7 de Maio - Anadia
Dia 8 de Maio - Cernache (Coimbra)
Dia 9 de Maio - Pombal

A quem quiser dar o seu apoio o contacto da Manuela Cristina é  917 828 897.


Um bem-haja!



segunda-feira, 21 de março de 2016

Sopro, Eterno Renascer



Apesar de ainda estarem encerradas as portas d'O Caminho da Montanha, vamos fazer uma meditação na próxima Quinta-Feira, pelas 18:30. Como tem sido habitual dar um tema a cada uma, vamos incidir a nossa atenção para o "Sopro, Eterno Renascer".

A entrada, como sempre, é livre a quem vier por bem!


segunda-feira, 14 de março de 2016

Sou


Sou o que sabe não ser menos vão
Que o vão observador que frente ao mudo
Vidro do espelho segue o mais agudo
Reflexo ou o corpo do irmão.
Sou, tácitos amigos, o que sabe
Que a única vingança ou o perdão
É o esquecimento. Um deus quis dar então
Ao ódio humano essa curiosa chave.
Sou o que, apesar de tão ilustres modos
De errar, não decifrou o labirinto
Singular e plural, árduo e distinto,
Do tempo, que é de um só e é de todos.
Sou o que é ninguém, o que não foi a espada
Na guerra. Um esquecimento, um eco, um nada.


Jorge Luis Borges, in "A Rosa Profunda"

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Cabeça de Medusa

Para reflexão apenas e, quem sabe?, debate posterior.

(Triptico de Jeronimus Bosch - Tentações de Sto António)


Extracto do livro I Dominicano Branco de Gustav Meyrink

Situando a cena: Ofélia morre. Tanto o noivo como o pai sofrem profundamente a perda. O pai procura uma sessão mediúnica e convida o noivo a assistir. Acontece uma manifestação.

«... O fantasma dirige-se para mim com um rosto radioso. Cada dobra da roupa é a imagem exacta da realidade de outrora. A mesma expressão fisionómica, os mesmos olhos tão belos e sonhadores, as pestanas pretas compridas, as sobrancelhas bem desenhadas, as mãos brancas e finas e até os lábios frescos e rosados. Apenas o cabelo está escondido por um véu. Ela debruça-se meigamente para mim e eu sinto bater o seu coração; ela beija-me na fronte e põe-me os braços à volta do pescoço. O calor tépido do seu corpo penetra-me. “Ela voltou a viver – digo-me eu – não pode haver dúvidas” .
(...) a voz de Ofélia ressona em mim... “não me abandones! Ajuda-me! Ele apenas traz uma máscara semelhante a mim”.
(...) Serro os dentes e torno-me frio, com o frio da desconfiança.
“Quem é este “ele” que poderá trazer a máscara semelhante a Ofélia?”pergunto-me interiormente, olhando fixamente a aparição nos olhos como se aí fosse  ler uma resposta; então vejo o rosto do fantasma paralisar numa expressão de insensibilidade petrificada como uma estátua, e as pupilas contraírem-se como se estivessem sob o efeito de um raio luminoso.
É o retrato súbito de um ser que tem medo de ser reconhecido; mas por mais rápido que ele possa ter sido, o tempo de um batimento do coração, foi o bastante para me aperceber nos olhos do fantasma de uma minúscula imagem que não é a minha (Ofélia), mas a de um rosto estranho.
Simultaneamente a aparição afastou-se de mim para se lançar, de braços estendidos, ao torneiro (pai de Ofélia) que, chorando copiosamente de alegria e de amor, a abraça e lhe cobre o rosto de beijos.
Sou tomado por um horror indescritível. Sinto os cabelos eriçarem-se-me na cabeça de terror. O ar que respiro paralisa-me os pulmões como um vento glacial.

(Jan Madyn)

(...)
É o rosto de um ser estranho de uma beleza indescritível, o rosto de uma virgem e ao mesmo tempo de um éfebo.
Os olhos sem pupilas, e vazios como os de uma estátua, têm reflexos opalinos.
Os lábios finos e exangues, delicadamente levantados nos cantos, têm uma expressão dificilmente perceptível, mas tanto mais terrível, de uma inexorável vontade de destruição universal.
Vê-se os dentes brancos brilharem através da pele fina como seda: o sorriso lúgubre de um esqueleto.
Tenho a impressão de que este rosto é o ponto de convergência de dois mundos. Como uma lente, concentra os raios de um reino de destruição saturado de ódio; atrás espreita o abismo de toda a destruição, do qual o Anjo da Morte é apenas uma pálida imagem .
Pergunto-me com angústia: “Que figura é esta que assim reveste os traços de Ofélia? De onde vem? Que força cósmica animou esta cópia?
(...)
O diabo não se manifesta por fins tão derisórios; não me lembro se foi a voz do ser primordial em mim que o murmurou (...) mas eu compreendi que “É a força impessoal de todo o mal que, operando segundo as leis naturais mudas, suscitando prodígios pelo poder da magia, na verdade entrega-se a uma fantasmagoria infernal por via de contraste. O que assim traz a máscara de Ofélia não é um ser dotado de substância. É a imagem mágica conservada pela memória do torneiro que se tornou visível e palpável em condições metafísicas e cujos processos e princípios ignoramos, talvez com a finalidade diabólica de alargar ainda mais o abismo que separa o império dos mortos do mundo dos vivos. É a alma da pobre costureira (médium) histérica - que ainda não atingiu a forma pura, cristalizada, de uma individualidade - que, brotando do corpo do médium como uma pasta magnética flexível e moldável, forneceu o envelope com o que o desejo do velho torneiro criou este fantasma. A cabeça de Medusa, símbolo do poder petrificante de uma potência de aspiração para baixo, está aqui a trabalhar a uma escala reduzida (...)
(...)

Palavras do responsável pela reunião, dirigindo-se ao noivo, numa profecia:

(Cabeça de Medusa - Escola Flamenga - 1600)
(...) A estrela Fixtus saiu da sua órbita e dirige-se agora para a Terra. A ressurreição dos mortos está próxima. Já os primeiros precursores estão em marcha. Os espíritos dos nosso desaparecidos circularão entre nós semelhantes a nós, e as feras comerão de novo a erva dos campos como outrora no Jardim do Éden (...)
Jovem, renuncia às vaidades do mundo! Percorri a Europa inteira (mostra as sandálias) e posso dizer-lhe isto: não há uma rua, mesmo nas aldeias mais humildes, onde hoje não haja comunicadores com o além. Em breve o movimento vai alargar-se ao mundo inteiro como uma torrente. A potência da Igreja católica será aniquilada, pois o Salvador virá em pessoa.

Continuando o noivo-narrador:
(...)
Depois de ter visto a cabeça da Medusa, ouvi a sua voz pela boca do homem de cabelos compridos (responsável pela reunião), uma e outra revestidas pela máscara da espiritualidade. É a língua viperina de uma cobra das trevas que fala pela sua voz. Ela fala do Salvador e pensa: Satã. Ela diz: as feras comerão de novo a erva dos campos! Por erva dos campos ela entende: os simples – a multidão – e por feras: os demónios do desespero.

O que há de terrível na profecia é que, sinto-o, ela vai realizar-se! E ainda mais terrível é que ela é uma mistura de verdade e de perfídia infernal! São as máscaras vazias dos mortos que ressuscitarão e não aqueles que amámos, não os desaparecidos que são chorados pelos da Terra! Elas regressarão para os vivos dançando, mas não será só na chegada do milénio: será, isso sim, um baile do inferno, uma alegria Satânica esperando o canto do galo de uma quarta-feira de Cinzas cósmica que nunca terá fim!»


Ouvindo o Espírito:
(…) 
"Os servidores da Medusa esperam, enviando aos homens os fantasmas dos mortos, abreviar a hora do seu triunfo! Estão a criar um espaço vazio, que deveria levar à loucura e aos extremos do desespero, e que deveria engolir tudo o que vive; mas eles não conhecem a lei da “Realização”! Não sabem que a nascente de todo o socorro só brota do reino do espírito no momento em que a necessidade se faz sentir.
E esta necessidade são eles mesmos que a criam.
Chamam aqui abaixo os novos profetas. Eles deitam abaixo a antiga Igreja sem saber que preparam desta forma as vias para a nova. Eles querem devorar tudo o que vive, mas apenas devoram o que está em estado de putrefacção. Eles querem arrancar do coração dos homens a esperança do além, mas apenas arrancam o que está destinado a cair. A antiga Igreja de hoje é obscura e privada de luz, mas a sombra que ela projecta no futuro é uma sombra branca”


sábado, 9 de janeiro de 2016

Misticismo e linguagem





(Ostad Mahmoud Farschian)

“Se seguirmos os místicos até às últimas fases do que escreveram, não vamos acentuar a linguagem, mas sim o seu silêncio. O apelo à inefabilidade, que vem depois de tantos esforços para traduzir, não é, pelo menos para os mais puros de entre eles, ênfase ou preguiça. Iria parecer-lhes vão , e mesmo uma mentira, exprimir através de formas de representação o que os arrancou a qualquer forma de representação, por modalidades submetidas à consciência o que os libertou do olhar de si sobre si”.
Jean Baruzi
“Pois se a ciência se exprime através de frases para guiar, a ciência do além não precisa de frases”.
Louis Massignon

A meditação é uma prática muito antiga e não está ligada a nenhuma religião em particular. Pelo contrário, em cada crença é aconselhada a meditação para se atingir um determinado tipo de conhecimento que não é o livresco. É o conhecimento directo. Muitos foram os que atingiram este estado e que são conhecidos como místicos. Levando-nos a falar de misticismo e místicos. O que são?

Antes de darmos a definição no dicionário, eis alguns exemplos: Santa Teresinha, S. João da Cruz, S. Francisco de Assis, entre muitos outros e apenas entre os cristãos.

Definição:
Misticismo – 1)Crença ou prática filosófica ou religiosa que admite a possibilidade de união íntima do homem com o divino ou a divindade através da contemplação, que pode ir até ao êxtase; 2) Disposição psíquica dos que procuram esta união; 3) Tendência para crer no sobrenatural; 4) (Filos.) Crença ou doutrina filosófica fundada essencialmente no sentimento, na intuição, pondo de lado a razão, a racionalidade; 5) grande devoção religiosa, vida contemplativa.

Místico – o que professa o misticismo
(Definições no Dicionário da Língua Portuguesa da Academia de Ciências de Lisboa)

Este conhecimento directo obtido através destes estados extáticos chega-nos através da única linguagem que conhecemos: a palavra. Como escreve S. João da Cruz “Dicen que El alma se entra dentro da si, y otras veces, que sube sobre si; por este languaje no sabre yo aclarar nada” (Diz-se que a alma entra dentro de si mesma e outras vezes que se eleva acima de si mesma; com uma linguagem assim nunca saberei explicar nada). Esta é uma das razões por que há relativamente poucos escritos deixados pelos grandes místicos que passaram pela Terra.

Muitos são os livros que lemos e tomamos como guias, ou, igualmente, muitos são as pessoas que ouvimos e tomamos como guias, mas uns e outros apenas podem ser como bússolas orientadoras. A razão?

-       Alguns porque escreveram ou disseram quando ainda não consumaram a realização pessoal. Entenda-se realização como a tomada do castelo fortificado que é o nosso Ser mais Íntimo e divino, no âmago do que Somos. Se falarmos em linguagem mística, enquanto não se tiver o conhecimento directo ou o êxtase revelador.
-       Como cada ser tem a sua própria interioridade, a sua Via é única e velada a outro entendimento que não o seu.
-       A terceira razão e não a menos válida é que, como é dita nas citações supra, a palavra não traduz a Realidade do Além. Como afirma Massignon o Além não precisa de frases.

Muitos são os estudiosos da misticismo e chegam a uma conclusão comum: não é o estudo que os faz conhecer os místicos, mas o contrário. Como diz Ghazzali, um sufi árabe no seu Mungidh sobre o que lhe foi possível saber do sufismo através do estudo e ensinamento oral: “Foi-me demonstrado que o seu (do sufismo) último termo não podia ser revelado pelo ensinamento, mas apenas pelo transporte, êxtase e transformação do ser moral... Definir o estado de inebriante é diferente de estar ébrio... Eu vi que o sufismo consiste mais em sentimentos do que definições, já sabia tudo o que o estudo me podia ensinar e o que me faltava era do domínio, já não do ensinamento, mas do êxtase e da iniciação. ... Quando se chega a este estado, devemos limitar-nos a repetir este verso:

“O que sinto não tentarei dizê-lo”.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016



Hoje fecham-se as festividades natalícias do calendário cristão com a Epifania , celebrada doze dias após o Natal (depois de 1969 com a reforma do calendário litúrgico, passou a comemorar-se 2 domingos apos o Natal).


Convidamos a dissertar um pouco sobre esta data.

A visita dos Reis Magos, é mencionada no Evangelho de S. Mateus, que diz em 2,2: “eis que vieram magos do Oriente a Jerusalém, perguntando: “onde está o rei dos judeus recém-nascido? Com efeito vimos a sua estrela no e viemos homenageá-lo”.

Dos quatro evangelistas, apenas S. Mateus refere esta visita, embora os Evangelhos apócrifos dêem pormenores extraordinários sobre a visita.

Não há uma especificação do número de Magos, apenas se assume que eram três, Melchior (ou Melquior ou Belchior), Baltazar e Gaspar, pelos presentes que trouxeram ouro, incenso e mirra. Pensa-se que estariam ligados ao zoroastrismo da Pérsia. A liturgia Síria e Arménia menciona doze Reis Magos que são venerados na Teofania ou Festa das Luzes.

Sedir, na sua obra “A Infância do Cristo” afirma que:
-       Melchior era da raça de Sem, rei da Arábia, com a pele de cor branca
-       Gaspar, da raça de Cham, Rei de Sabá ou da Etiópia, pele amarela
-       Baltazar da raça de Japhet, rei de Tarso, vermelha
o que significa que as três linhagens da raça de Noé vieram prestar homenagem ao Cristo.

Baltazar, o rei de pele vermelha, vindo de Tharsos, herdeiro da sabedoria atlante, uma vez que Tarsos é onde se encontram os últimos vestígios atlantes.

Um aparte interessante: a constelação Orion, na altura magnífica a brilhar no meio de céu, tem três estrelas na sua cintura: Alnitak, Mintaka e Alnilam que formam o Cinturão de Orion, as chamadas “Três Marias” ou “Três Reis”.

A designação de Mago é muito interessante, pois um Mago é aquele que pratica a Magia (não confundir com bruxaria). Os Magos são sacerdotes que estudam as várias ciências como a observação do céu – astronomia e astrologia – a Natureza, as Matemáticas, a Filosofia, a Alquimia, etc.. São seres de grande Saber. Os Reis Magos da Tradição têm o poder temporal – são Reis – e adeptos iniciados na Teurgia – Magos. A pele que os reveste toma três cores diferentes, que podem ser associadas aos três estádios alquímicos ou ainda a três fases no caminho da espiritualidade. A matéria bruta (negra) deve ser purificada (branca) para então ser fecundada pelo enxofre (amarelo) e atingir o ouro ou cinábrio (vermelho).

Toda a representação do Nascimento de Jesus é um quadro alquímico:
-       o presépio – Atanor
-       Maria – Água
-       José –Ar
-       Boi – Terra
-       Burro – Fogo
Todos à volta de Jesus – o Éter ou Akasha.


Estes Reis Magos oferecem três presentes:
Ouro – símbolo da realeza
Incenso – símbolo do sacerdócio
Mirra – símbolo do sacrifício, do amor.

Que podem também simbolizar o despertar, a iniciação e o estado realizado de Homem perfeito; sacerdote e rei do reino interior e exterior.

Como este artigo é apenas um conjunto para reflexão, vamos terminar com uma citação de um autor do Século VI, feita por Fulcanelli, na sua obra “O Mistério das Catedrais”:

“Todos os anos, estes homens (os Magos) depois das colheitas, subiam a um monte que, na sua língua, se chamava Monte da Vitória, onde havia uma caverna talhada na rocha e agradável pelos ribeiros e árvores que a cercavam. Chegados ao monte, lavavam-se, oravam e louvavam a Deus em silêncio durante três dias. É o que praticavam de geração em geração, esperando sempre que, por acaso, a estrela da felicidade aparecesse na sua geração. Mas, no fim, ela apareceu sobre este Monte da Vitória sob a forma de uma criancinha e oferecendo a figura de uma cruz. Ela falou-lhes, instruiu-os, e ordenou-lhes que partissem para a Judeia.... – A estrela precedeu-os assim durante dois anos, e nunca lhes faltou pão nem água...”.


Que a Boa Estrela guie cada um, nunca falte o pão e água do corpo nem do Espírito, para que o Caminho se faça e a Obra se realize.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016



Bom Ano!

Deixamos a todos os nossos votos de felicidade, saúde e Luz para este 2016, o ano “civil” que hoje começa.

Possa Vida proporcionar a estabilidade e equilíbrio tão necessários neste momento; possa a Luz aclarar o nosso caminho e pensamento para que escolher a melhor senda; que a intuição seja guia para possamos prosseguir pela via da verdade, coragem e conhecimento.

Abrindo este mistério que é o início, possamos ver de olhos bem abertos o decorrer e concluir deste ciclo.


Que a Paz sempre habite cada Ser.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Despertares



O Caminho da Montanha tem estado adormecido desde o mês de Setembro. Adormecido não é morto. Como já foi afirmado anteriormente, apenas se encontra em retiro interior tão necessário a cada Ser.

Nestes anos de funcionamento e de entrega total ao Caminho, notamos que éramos procurados sobretudo por aqueles que buscam o bem-estar físico e emocional. As actividades mais ligadas ao Conhecimento tinham uma afluência muito menor. Conclui-se que as razões e motivos mais profundos que levam ao mal-estar não são objecto de reflexão.

Também observámos que era esperada uma recuperação rápida e, acima de tudo, sem “trabalho”, sem uma dádiva pessoal. Quando se fala em dádiva, o pensamento desvia-se para uma dádiva material. É facto que, na sociedade em que vivemos, o material é necessário para a existência física e não somos excepção. Mas agora falamos de uma dádiva de trabalho, de avanço pessoal para a conquista de conhecimento de quem somos.

Nestes tempos conturbados e tristes, e na procura de respostas rápidas e básicas, são cada vez mais os “videntes” que a troco de uma quantia (por vezes exorbitante) dão a resposta que o consultante se limita a seguir sem questionar. É o caminho mais fácil na aparência, pois demitimo-nos de algo que constitui a grande diferença entre o Homem e os outros seres que habitam a Terra. Estamos a falar da possibilidade de escolha, da responsabilidade de assumirmos o Caminho. Mas este Caminho implica dádiva de si e sacrifício.

Nos Arcanos Maiores do Tarot, agora tão manipulados para as coisas do quotidiano quando são representações da Verdade Maior, temos o Arcano XII (tão temido): o Dependurado ou o Sacrifício. Representa o que temos de sacrificar num “revirar ao contrário” (o sacrificado tem os pé voltados para o céu e a cabeça para Terra). Tantas vezes a Vida nos revira de dentro para fora, nos põe a fazer o pino.... É aprendizagem, mas recusamo-la. E revoltamo-nos, perdemos “a cabeça”, numa procura louca de fugas desesperadas e em tentativas vãs de respostas rápidas, fáceis e básicas.

A este Arcano XII segue-se o XII, a Morte. Pois, é pela Morte que renascemos. Mas a Morte é entrega ao desconhecido, o silêncio do desconhecido que tanto tememos. Só depois de passarmos pelos estádios de Sacrifício e Morte poderemos alcançar a Temperança (Arcano XIV), ou seja o Equilíbrio entre o divino que somos e o carnal que nos permite viver e aprender.

Nesta vida passamos muitas vezes por estes Três Arcanos; de cada vez que a Vida nos põe à prova, e temos de tomar decisões, fazer escolhas... E cada vez que tomamos o caminho fácil e rápido, a Vida irá pôr-nos de novo à prova e tudo se repete.

A dádiva acima referida faz também parte da aprendizagem. Tudo no Universo tem o verso e o reverso, ou seja se cada um receber e nada der fica em dívida. Actualmente espera-se receber sem nada dar e depois ficamos surpreendidos por a Vida nos retirar aquilo a que achávamos que tínhamos direito.

(Lima de Freitas)
O Caminho da Montanha serviu nestes anos, sem nada pedir a não ser a Vontade de mudar e de conhecer. Também ele cresceu. Chegou o momento, não de Decadência ou Queda, mas antes de re-Orientação para o verdadeiro Caminho e Razão de Ser. A Vontade, o Querer e a Busca da Sabedoria serão pontos essenciais nesta abordagem.

A aprendizagem demora, não vem com símbolos, ideias nem com horas dedicadas APENAS ao exterior, seja em trabalho de doação. A aprendizagem é como uma Alquimia que se vai processando gradualmente, passo a passo no mistério do nosso mais Íntimo. Vem com o Sacrifício, as Mortes, escolhas, assumpções ou riscos que tomamos e nos responsabilizam, vem com quedas e mágoas, com saltos no vazio e, vem, sobretudo com o mergulho em nós no silêncio e abertura a quem se vai libertando, os Mestres (não por grau, mas por Ser). Podemos ter a Graça de acontecer num pequeno lapso de Tempo, mas é normal demorar décadas, vidas e mortes... Vai-se construindo, no escoar das águas e no Fogo purificadores.


O Caminho da Montanha ainda no Silêncio, no Trabalho, em retiro, a Alquimia vai-se fazendo, suave e lentamente, no tempo que é necessário para que os metais se metamorfoseiem.



Nota: Pequena ressalva para a referência às leituras de Tarot. Não estamos contra aqueles que procuram a leitura de Tarot (Arcanos Maiores) para encontrarem uma linha orientativa do momento que vivem. Igualmente, na nossa referência "videntes" não incluímos aqueles que conhecem o significado esotérico dos Arcanos e têm um conhecimento profundo da Beleza e Mistério a que acedem.