sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Conto

Como prometido, eis o conto oriental:


(Pintura: Ostad Mahmoud Farshchian)

Era um Mestre que tinha uma sagacidade mística especial. Os seus ensinamentos eram como adagas afiadas que permitiam rasgar os véus das mentes ainda ignorantes. Contudo, por vezes, era muito contraditório e paradoxal, chegando mesmo a ser extravagante. Os seus próprios discípulos estranhavam o seu comportamento perdulário que o tornava alvo de muitas repreensões, recebendo críticas e censuras de não poucas pessoas. 

Desconcertados, um dia os discípulos perguntaram-lhe:

- A que se devem essas mudanças de atitude? Está a pôr em causa a sua reputação para nada.

-Isso é precisamente o que pretendo - asseverou o mestre, deixando todos eles de boca aberta. 

E acrescentou: 

- Essa é a minha intenção, não quero ter reputação.

- Não percebemos - protestaram os discípulos. - É um grande mestre, mas as extravagâncias minam o seu prestígio.

Ouçam - disse o Mestre, sereno. - Aquele que procura reputação obceca-se; aquele que tenta mantê-la, preocupa-se e fica angustiado. Quem, pelo contrário, é indiferente à reputação, vive muito calmo e é feliz. Além disso, a reputação é como um visitante que mais tarde ou mais cedo acaba por partir. Mas o que cada um é, isso permanece. Sinto-me bem porque só me interessa o que permanece, não o visitante. Desfruto do que é permanente em mim e o visitante é-me completamente indiferente. Portanto, se não gostam, podem ir com outro mentor.


Retirado do livro Os melhores contos Espirituais do Oriente, de Ramiro Calle

sábado, 28 de outubro de 2017

Mais um recomeço


O Caminho da Montanha voltou a abrir portas. Ainda em regime lento (5ª Feira de tarde exclusivamente). 

Já tivemos dois Seminários de Iniciação, um ao II Grau e outro ao I grau de Reiki.

Tentamos fazer o melhor para servir quem vem por bem.

Bem-hajam!

terça-feira, 6 de junho de 2017

XIV Aniversário d'O Caminho da Montanha



(Lima de Freitas - Painéis do Rossio)
Com muito atraso (devido a problemas informáticos), de que pedimos desculpas, aqui vão as coordenadas para o dia 10 de Junho.

10:15 - Para quem desejar encontro no Centro (com saída às 10:30 para a Granja)

11:00 - Encontro na Praia da Granja, (perto da piscina). O abraço e preparação para o picnic (se não chover)

12:00 - Picnic na praia

Nota: Se chover, tudo se passará no American Club que nos abre as portas. O nosso agradecimento!




No American Club*, da parte da tarde, a aventura da Descoberta no convívio de quatro Amigos escritores que partilharão a Beleza, uma vertente sempre presente para quem se disponibiliza a fazer Caminho. Assim:

14:00 - Tertúlia: " Portugal, Terra de poetas e de Amore (Trovadores)"

com

- Maria Lasalete Sá, poetisa. 

Presente n'O Caminho da Montanha desde a sua fundação. Tem sido companheira em muitas ocasiões. 

- Liliana Ribeiro, poetisa

Alguém muito caro aos nossos corações, que lutou e conseguiu tanto do que esperava.

- Angelino Pereira, Prosa e poesia

Veio ter ao Caminho e por cá ficou. Muita actividade querer, batalhas pela justiça.

- Rui Fonseca, prosa, poesia e música

Vem agora até nós, em gesto de boa vontade. Vamos conhecê-lo. É lusa gente!

- Ainda estará entre nós Júlia Moura, directora da revista Athena

Já a conhecemos, é poetisa pelo coração.


A todos um bem-hajam!


17:00 - Encerramento


Fica o convite a quem vier por Bem!



*
American Club
Av. da República 2025
Praia da Granja
Telef 224 911 488




terça-feira, 18 de abril de 2017




“Já são em número demasiado os que vieram ao mundo para combater e separar. (...) Aceitemos como o melhor que foi possível tudo o que nos apresenta o passado; mas procuremos que seja outra a atitude que tomarmos; lancemos sobre a terra uma semente de renovação e de íntimo aperfeiçoamento. Reservemos para nós a tarefa de cumprir e unir; busquemos em cada homem e em cada povo e em cada crença não o que nela existe de adverso, para que se levantem as barreiras, mas o que existe de comum e abordável, para que se lancem as estradas da paz; empreguemos toda a nossa energia em estabelecer um mútuo entendimento; ponhamos de lado todo o instinto de particularismo e de luta, alarguemos a todos a nossa simpatia. Reflictamos que são diferentes os caminhos que toma cada um para seguir em busca da verdade, em que muitas vezes só um antagonismo de nomes esconde um acordo real”


Agostinho da Silva, Por um fim de Batalha, Considerações 1944, in Textos Filosóficos I, p.117

sábado, 15 de abril de 2017

Páscoa na Luz

(Cristo lebre)


Páscoa!

Tempo de reflexão.

Para os cristãos é sinónimo de Ressurreição. Jesus morto levanta-se do túmulo ao alvorecer, em corpo de luz.

É morto depois da Última Ceia, na Páscoa judaica (Pesach ou Pesaḥ)) quando se comemora a saída do Egipto e a liberdade do povo eleito.
E é comendo o cordeiro temperado com ervas amargas e acompanhado por pão ázimo, para lembrar os tormentos passados no Egipto, que Jesus celebra a Última Ceia. Nessa noite, segundo os Evangelhos, é preso, passa a Paixão até à morte na cruz na Sexta-feira, ressuscitando ao alvorecer do Domingo.


Entre nós, no Domingo, há o ritual da visita da Cruz a cada casa. É o momento de reunião das famílias, da alegria e doçura da época. Nas mesas as amêndoas, os ovos, os coelhos de Páscoa.

De onde vêm os ovos e os coelhos? Nada têm a ver com a simbologia cristã!!!

Das memórias ancestrais perduram os ritos antigos que tornam real a comunhão de crenças, pois o importante é Algo Maior, a noção profunda da transcendência no nosso Imaginário.

Comecemos pela data em que celebramos a Páscoa: é fixada no primeiro Domingo após a primeira Lua Cheia que segue 21 de Março. Assim, será a 22 de Março, se a Lua Cheia for na noite de 21, e o mais tardar a 25 de Abril. Não se trata da lua observada, mas de uma lua dita eclesiástica*.

Ora, o calendário lunar era o antigo calendário antes do gregoriano romano, calculado pelo sol.

Segundo Bede (673-735), o mês de Abril era Eosturmonath, agora traduzido por “mês pascal”, mas que anteriormente era dedicado a Eostre (Ostara) festejada neste mês. Segundo Grimm era “uma divindade do alvorecer radiante, da luz primaveril, um espectáculo que traz alegria e bênçãos” Eostre é o aspecto nórdico da Grande Deusa Mãe. Anuncia a germinação ou por outros termos a ressurreição da Terra.

Os ovos, e por comparação as amêndoas, a lebre ou o coelho, eram símbolos de Eostre, uma evidência, uma vez que ela era a Deusa da Fertilidade.

Mais tarde, quando se impôs o cristianismo, e segundo a Enciclopédia Católica “porque o uso de ovos era proibido durante a Quaresma, eram levados à mesa no dia de Páscoa, pintados de vermelho simbolizando a alegria da Páscoa”.

Do coelho, animal lunar, símbolo da fertilidade por excelência aparece já na Antiguidade, 3500 AC. Inicialmente havia referências a uma lebre, símbolo da abundância, proliferação e renovação, animal presente em várias tradições pelo mundo. Por exemplo, no Islão, Ali, o descendente do Profeta, apresenta-se sob a aparência de uma lebre simbolizando o filho sacrificado. A ideia de sacrifício divino simbolizado pela morte da lebre está igualmente presente no budismo: o boddhisattva toma a aparência de uma lebre para se lançar nas chamas. Igualmente, é uma lebre que se imola pelo fogo para alimentar o Buda quando este tem fome.


Nesta Páscoa que vivemos, em que aliamos símbolos antigos e os actualizamos a cada ano, talvez mais uma mensagem se torne evidente: o Tempo reúne o que antes separou, deixando manifestar-se a Unicidade da Vida, independentemente dos cultos, das crenças, das lutas religiosas.

Somos intrinsecamente Seres em Busca da Luz.

Boa Páscoa A TODOS.


* A Lua Eclesiástica ou Lua Pascal é uma representação fictícia das fases da Lua real. Desde o Concílio de Niceia em 325 que os cálculos se baseiam no ciclo metónico para determinar a data da Páscoa. Segundo Meton, 235 meses lunares correspondem exactamente a 19 anos trópicos. Utilizando-se o calendário juliano, a cada 19 anos as fases da Lua vão cair nos mesmos dias do calendário.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

"Normas"

Como foi dito na publicação anterior, decidimos incluir algumas "Normas" que solicitamos encarecidamente sejam respeitadas. São pedidos simples. Se todos trabalharmos no mesmo sentido, a força de Vida será maior e mais forte. Nascemos para servir, na certeza de que cada um tem a sua quota parte a fazer e do qual é responsável. Não nos arvoramos em heróis ou "iluminados" ou mesmo"donos da Verdade", mas temos o direito, e mesmo o dever, de respeitar e honrar a Luz que nos ilumina.

Normas:


O Caminho da Montanha nasceu com o objectivo de desenvolver o sentido de Ser Humano utilizando para isso várias ferramentas, entre as quais o Reiki, meditação, debate, leitura, partilha, etc. Todavia, este trabalho não se pode efectuar sem que cada um faça a sua parte.
Esta parte consiste em vários itens, alguns dos quais:
·        Assumir o compromisso de investir em si mesmo(a) e no conhecimento de Si
·        Contribuir de uma forma consciente para o seu próprio bem
·        Contribuir de uma forma consciente para o bem dos outros
·        Respeitar a vida, o local e cada ser
O Centro não está ligado a qualquer religião, mas respeita crenças, religiões e tradições.
O Caminho da Montanha está em funcionamento desde 2003. Não tem fins lucrativos. Tem sobrevivido com a ajuda e boa vontade de alguns. É chegado o momento de cada utente contribuir com a sua parte de uma forma material, para que possamos sobreviver e preparar o futuro. Não pretendemos “vender” a energia maravilhosa que possamos passar ou o tempo que doamos. Apenas temos de assegurar o pagamento das despesas obrigatórias: luz, água, papel, limpeza, etc., pelo que a contribuição mínima será de 5 Rubis por sessão.
O Caminho da Montanha pede igualmente que respeitem os locais.
São pedidos simples:
·        O silêncio, ou diálogo a meia voz, quando há terapeutas a trabalhar, uma actividade a decorrer, leitura, etc.

·        Respeitar a biblioteca e os livros. Não levar qualquer livro ou revista sem autorização. Foram doados com amor e merecem o respeito de cada um. Confiamos em quem os lê, mas já fomos defraudados.

·        Colocar o lixo nos recipientes próprios e não no meio das plantas ou no chão. A Natureza é mãe, merece o maior respeito.

·        Não cortar flores ou plantas. São seres vivos, que pedem amor e não violência

·        Aceitar as normas do Centro e, se não concordar, falar com responsável de uma forma franca e aberta.

Existimos por Amor, e bem-vindo seja quem vier de boa Vontade!


Bem-hajam!

Recomeçar...



Longo foi o intervalo de recolhimento para um recomeço gradual e novo.

Decidimos reabrir a 9 de Fevereiro, ainda com horário restrito:

5ª Feira das 13:00 às 17:30

O Caminho da Montanha foi recalibrado para o objectivo a que desde sempre se propôs: o Desenvolvimento Pessoal. Assim, as actividades ir-se-ão sucedendo nessa direcção. Estamos conscientes de que a actividade mais solicitada tem sido o Reiki. 

É particularmente neste domínio há mais alterações a assinalar:

- deixa de haver marcações. Os atendimentos serão por gravidade / ordem de chegada, respeitando o horário de funcionamento. Assim, a última pessoa a ser atendida deverá entrar até às 16:30. 

- não será marcadas sessões a prazo. A cada semana receberemos quem estiver.

- cada terapeuta deixará de ter os "seus" pacientes, passando a estar ao serviço de quem chega.

- a terapia não será paga, mas cada utente deverá deixar uma contribuição mínima para a manutenção e crescimento físico do Centro.

A Vida Mãe obrigou-nos a tomar certas directivas e decisões. Esperemos que sejam as correctas, mas Ela deixa-nos sempre a opção de mudar e retomar. 

Em relação aos terapeutas também foram tomadas decisões. 

Estarão acompanhados durante as terapias, podendo esclarecer dúvidas, retomar técnicas, etc. 

Haverá também Encontros que durarão o dia ou horas, durante os quais se relembrará o que foi dito em Seminário, serão partilhadas experiências, e relembrada a Energia.

A formação será contínua e as experiências que nos foram enriquecendo irão fazendo parte do nosso servir.

Em breve recomeçarão também os Seminários de Iniciação. 

Que a Luz esteja connosco e convosco!

Até breve!









sábado, 24 de dezembro de 2016



Natal! Nascimento!

Nascer é começar, um ciclo que se enceta como se nada tivesse existido antes…mas as pegadas do que do antes não se apagam. São pontos de orientação de novas aventuras.

O Solstício de Inverno anuncia a Luz que começa a crescer. Então, o que nasce é Luz? A cada um responder.

Nesta data celebramos o nascimento de Jesus, Issa ou Yeshua. Anunciado por uma estrela, recebido por pastores e Reis Magos, é um Ser de Luz que vem. 

Uma festividade ancestral que celebra a vida.

Feliz Natal a todos, nesta celebração de Amor, pois o Amor é fundamento da Vida!


terça-feira, 12 de julho de 2016

Falar do Islão com Abdul Rehman Mangá


O dia 09 de Julho foi um abrir de véus em relação ao Islão. Estivemos com o Presidente do Centro Cultural Islâmico do Porto e responsável pelo diálogo inter-religioso do norte de Portugal, o Sr. Abdul Rehman Mangá, um português nascido em Moçambique.

Não vamos aqui citar tudo o que foi dito, pois tal não seria viável para um blog. Tentaremos fazer algumas citações que, acreditamos, possam fazer um pequeno esboço das matérias importantíssimas que foram abordadas.

" ... Islão deriva da palavra "Silm" / "Salam" que significa PAZ. Mais do que isso, significa a submissão a Um Deus só, viver em paz com o Criador, viver em paz consigo mesmo, viver em paz com as outras pessoas e viver em paz com o ambiente.


O Islão veio depois de Cristo; temos um tronco comum que é o profeta Abraão. Deste tronco comum tivemos três ramificações; a primeira deu lugar ao Judaísmo; a segunda através de Jesus deu lugar ao cristianismo e a terceira, através do profeta Muhammad deu lugar ao Islão. Estas três religiões são as três únicas religiões monoteístas. O Islão faz parte desta árvore grande e frondosa do Profeta Abraão. 
...
Muitas vezes confunde-se árabes com muçulmanos. Existem cerca de um bilião e quinhentos milhões de muçulmanos. Menos de 20% é que são Árabes. Há árabes que são cristãos, outros judeus, muçulmanos e ateus…

Muitas vezes confunde-se Allah com Deus dos muçulmanos. Allah é o termo, em arábico, que significa Deus. Os cristãos coptas chamam a Deus Allah, pois falam árabe. 

Acreditamos em todos os profetas que passaram pelo mundo, nomeadamente Noé, Abraão, Ismael, Isaac, Jacob, José, Moisés, Aarão, David, Salomão, João Baptista, Jesus, Muhammad. 

Para nós Jesus é uma das referências impressionantes para a nossa religião.

No Alcorão existe um Capitulo completo dedicado a Maria. Acreditamos que Ela deu à Luz Jesus de uma forma milagrosa. Há também um Capítulo referente a Moisés.

Depois veio Muhammad que veio numa linhagem a seguir a estes profetas. Não veio trazer uma mensagem nova, tal como Jesus não veio trazer uma mensagem nova depois do Judaísmo. É uma continuidade. Deus mandou esses Profetas todos para dar continuidade à Sua religião…. Todos nós somos filhos de Deus.  
………….

Diz-se que Jihad é a Guerra Santa, mas não existe nenhum no Alcorão chamado Jihad. Jihad literalmente significa esforço, significa por exemplo eu que vim cá  esclarecer sobre uma religião que é mal compreendida… qualquer esforço diário pela causa e no caminho de Deus.  Guerra Santa não existe no Islão. O auto controlo também é uma Jihad. Os muçulmanos só devem utilizar a força em caso de auto defesa.

Sobre a Mulher muçulmana, há um conceito mesmo muito errado. Há 1400 anos, o Islão elevou o estatuto das mulheres nomeadamente ao permitir-lhes o divórcio, a independência financeira e económica, o direito à propriedade, o direito de conservar o nome de solteira mesmo depois de casada. Certos aspectos culturais ainda não permitem à mulher atingir os seus plenos direitos, contrariando assim a orientação religiosa

Por exemplo em Portugal há apenas uma mulher embaixadora portuguesa, na República Checa. Há 6 embaixadoras dos Países Muçulmanos: Argélia, Marrocos, Emiratos Árabes Unidos, Senegal e mais dois países. Hoje a mulher muçulmana quer estudar. 

Uma coisa que diferencia a mulher muçulmana é usar o "lenço na cabeça". Está rigorosamente a copiar a Virgem Maria, e é uma questão de respeito, mas muitas mulheres muçulmanas não usam lenço na cabeça. Há mulheres muçulmanas que tapam completamente a cara. Isso não tem nada a ver com o Islamismo. Tem a ver com cultura.

Para entrarmos na Mesquita cobrimos a cabeça, é uma questão de respeito. Tal como os bispos católicos, nas sinagogas significando que entre Deus e mim não há mais ninguém.

Debate:

P - O muçulmano deve fazer 5 orações ao dia. Se trabalhar tem de parar?

R - Só deve parar se o empregador der autorização. Depois de sair do trabalho podemos fazer as 5 orações. É como o jejum. Devemos fazê-lo quando há condições para isso. Um diabético, que tem de comer gradualmente durante o dia não pode fazer o jejum. Então deve alimentar um pobre.

P - As mulheres também vão a Meca?

R - Sim as mulheres também vão a Meca.

P - Fala-se sobre o apedrejamento de mulheres, fala-se de violência contra as mulheres, principalmente muçulmanos. Gostava de saber qual o motivo, não acredito que seja a religião.

R - As mulheres sempre foram as que mais sofreram em todo o lado, em toda a parte do mundo. As mulheres que não tenham educação escolar. a possibilidade de se auto-sustentar, se estão dependentes de alguém é uma condição horrível, horrível em qualquer parte do mundo. Naqueles países ainda se vive a pobreza, quem trabalha é o homem. A religião diz que o homem e a mulher são iguais, perfeitamente iguais. O próprio Corão fala que o homem e a mulher têm os mesmos direitos e a mesma possibilidade de se educarem. A obrigação do pai é de educar tanto a filha como o filho. Mas é a obrigação tácita que está lá. Agora o problema cultural acontece. Imaginem em Portugal, as mulheres que sofrem de violência doméstica. É terrível! Cerca de 40 mulheres morrem por ano por causa de violência doméstica, fora aquelas que são espancadas, sofrem e não falam, ficam caladas!Há dias um pai ao maltratar uma mãe, o filho com oito anos tentou salvar a mãe e levou um tiro. Isto acontece em qualquer parte do mundo, agora acontecendo nas Arábias tem muito mais visibilidade.

A questão de apedrejamento de que falou, o apedrejamento não tem nada a ver com o  Islão, tem a ver com tradições. Tradições, digo eu, dos nossos antigos Profetas. Recordam-se que os nossos antigos Profetas utilizavam o apedrejamento. Era antigamente que faziam isto, mas isso já passou, naquela época já era errado fazer uma coisa dessas….

Nesses estados fazem tudo e mais alguma coisa que não tem nada a ver com religião.

P - Essas situações que de violência que acontecem têm a ver com questões tribais?

R - Sim. Há certas regiões no Paquistão em que a polícia não entra lá. A Polícia patrulha as ruas, mas não entra nas localidades. Eles fabricam as próprias armas, são donos daqueles locais. Apesar disso, o Paquistão teve uma Primeira Ministra mulher. A Malala é um símbolo de raparigas no Paquistão que querem estudar e até levou um tiro dum Taliban.


Estas foram apenas algumas das muitas questões abordadas nesta Palestra. Dada a riqueza de assuntos e, em alguns, a delicadeza de abordagem não vamos aqui transcrever os diálogos. No entanto deixamos um convite para a visita a Mesquita do Porto a agendar para muito breve, em que novas questões poderão ser colocadas e um conhecimento mais empírico poderá ser alcançado.

Deixamos aqui um enorme bem-haja ao Sr. Abdul Mangá, a que alguém nos assistentes apelidou com razão de apóstolo. Que mantenha a coragem, força e serenidade na reposição da verdade sobre o Islão tão mal compreendido, tão pouco conhecido e actualmente tão acusado….









terça-feira, 5 de julho de 2016

O Lamento da Flauta

(Pintura: Ostad Mahmoud Farshchian)

Ouve o ney (flauta de cana) contar uma história,
a lastimar-se da separação:

"Desde que me cortaram o junco, 
o meu lamento faz gemer o homem e a mulher.
Quero um coração dilacerado pela separação para
nele verter a dor do desejo.
Quem vive longe da sua origem aspira ao instante
em que de novo se lhe unirá.
Eu, lamentei-me com todos, tanto me associei
aos que se alegram como aos que choram.
Todos me compreenderam conforme
os seus próprios sentimentos; mas ninguém tentou saber
os meus segredos.
Porém, o meu segredo não está longe do meu lamento,
mas o ouvido e o olho não sabem percebê-lo.
O corpo não é roubado à alma, nem a alma ao corpo;
contudo, ninguém pode ver a alma.
É do fogo, e não do vento, o som da flauta:
que se reduza ao nada aquele a quem faltar esta chama!
É o fogo do Amor que está na cana, é o ardor do Amor
que faz fervilhar o vinho.
A flauta é a confidente daquele que está separado do seu Amigo:
as suas notas rasgam os nossos véus.
Quem já viu porventura um veneno e um antídoto
como a flauta?
Quem já viu porventura um consolador e um amante
como a flauta?"

In O Cântico do Sol,
de Djalal-od-Din Rumi
(1207-1273)